O centro histórico de Elvas volta a acender-se este sábado numa iniciativa que se quer simultaneamente íntima e colectiva. A segunda edição do Elvas Iluminada, organizada pela associação juvenil Arkus, promete transformar ruas, praças e monumentos numa «viagem de luz», repetindo a proposta que, em 2025, surpreendeu a cidade e trouxe centenas de participantes às pedras alentejanas.
Percurso alargado e mais surpresas
Face à adesão do ano passado — quando mais de trezentas pessoas marcaram presença — a Arkus decidiu ampliar o trajecto e acrescentar novos espaços e momentos artísticos. A organização adianta que a experiência manterá a essência da edição inaugural, mas será “completamente diferente” na encenação e nos pormenores, nomeadamente através de uma nova personagem que acompanhará a visita guiada, desta vez interpretada por Catarina Dias.
O ponto de encontro está marcado para as 21h00, na Praça da República. A partir daí a comitiva seguirá por um itinerário que atravessa marcos do casario elvense: Arco da Praça, Rua da Cadeia, Lar da Misericórdia, Praça 25 de Abril, Faceira da Cisterna, sede da Arkus, Avenida 14 de Janeiro, Mercado Municipal (Casa das Barcas), Castelo, Rua das Beatas, Largo de Alcáçova e Pelourinho, regressando depois ao local de partida.
Luz que combina tradição e tecnologia
Para enquadrar a noite, a organização optou por um misto de iluminação tradicional e tecnológica. No total, estarão distribuídas cerca de sete mil velas, das quais aproximadamente cinco mil são LED e duas mil convencionais de cera. A decisão resulta da experiência prática da estreia do evento, em que o vento e as questões de segurança dentro de monumentos aconselharam a adoção de soluções menos susceptíveis a apagões e riscos.
| Elemento | Quantidade |
|---|---|
| Velas LED | 5 000 |
| Velas de cera | 2 000 |
| Início | 21h00 |
Na prática, a combinação procura preservar a atmosfera calorosa das chamas reais, ao mesmo tempo que garante a continuidade do efeito cénico ao longo de todo o percurso.
Programação e envolvimento local
A proposta cultural não se limita à luz: ao longo da “viagem” o público encontrará uma série de intervenções artísticas e performativas protagonizadas por agentes e associações do concelho. Do alinhamento fazem parte nomes e grupos locais como a Banda 14 de Janeiro, Autores de Elvas, Roncas d’Elvas, Gota d’Arte, Paulo Cachinho e Leonor Alegria, além de iniciativas de dança e teatro como Saphira Belly Dance, Bomb’alen e Aura, entre outros.
- A organização planeia repetir, sempre que possível, as atuações para permitir que os participantes não tenham de escolher entre seguir o percurso e assistir às apresentações.
- O percurso atravessa locais emblemáticos do centro histórico, reforçando a leitura patrimonial da cidade.
- A Arkus destaca a importância da colaboração com coletivos locais para enriquecer a experiência.
«Não estávamos à espera de tanta gente. As pessoas aderiram muito e este ano pensámos: porque não fazer ainda maior?»
As palavras, proferidas por uma das responsáveis pela Arkus, reflectem a vontade de consolidar o projecto e torná‑lo um evento de cidade, que envolva não apenas espectadores, mas também criadores, associações e espaços públicos.
Para Elvas, cidade com um centro histórico classificado e um território que vive da memória arquitectónica e da vida das suas gentes, iniciativas como o Elvas Iluminada oferecem um duplo efeito: valorizam o património e activam a rua, convocando cidadãos e visitantes numa experiência sensorial que junta som, luz e diálogo comunitário.
Na noite de sábado espera‑se, assim, que as pedras antigas voltem a servir de cenário a uma narrativa colectiva, onde cada vela — LED ou de cera — acentua recantos e evoca histórias. A organização recomenda que os participantes cheguem com antecedência ao ponto de partida, na Praça da República, para o início pontual da visita guiada.