Na tarde de domingo, 20 de setembro, as ruas históricas de Elvas voltaram a ser palco de uma das demonstrações de fé e de comunidade mais antigas do concelho: a tradicional Procissão dos Pendões, que assinalou o início oficial das Festas em honra do Senhor Jesus da Piedade e da Feira de São Mateus. O cortejo ligou a Sé, na Praça da República, ao Santuário, no Parque da Piedade, reunindo «milhares de fiéis» segundo relatos das organizações locais.
Uma procissão que mobiliza banda, escuteiros e coletividades
A cerimónia foi presidida pelo arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, e contou com a participação musical de três bandas filarmónicas que animaram a manhã e acompanharam o cortejo: a Banda 14 de Janeiro, a Banda Filarmónica Barranquense (de Barrancos) e a Banda da Sociedade Filarmónica Progresso Matos Galamba (de Alcácer do Sal). Pelas ruas do centro histórico houve a habitual arruada matinal, com paragens nos Paços do Concelho e outras entidades convidadas, antes das formalidades religiosas.
O apoio logístico e de coordenação da procissão esteve, como tem sido tradição em Elvas, a cargo dos escuteiros locais, que este ano voltaram a marcar presença em força: cerca de 130 elementos organizaram a passagem do cortejo e prestaram apoio direto à PSP. Também voltaram a desfilar os pendões representativos de igrejas, freguesias, associações, coletividades e outras entidades — não só do concelho, mas igualmente de municípios vizinhos, como Campo Maior e Borba.
- Data: 20 de setembro — abertura oficial das festas e da feira local;
- Trajeto da procissão: Sé (Praça da República) até Santuário (Parque da Piedade);
- Participação: milhares de fiéis, 130 escuteiros, três bandas filarmónicas e pendões de várias coletividades.
Vozes que traduzem esperança e preocupação
O arcebispo de Évora destacou a expressão coletiva que a participação popular representa, interpretando-a como um «sinal de esperança» num momento marcado por tensões internacionais e por dificuldades económicas que afetam o quotidiano das famílias. Em declarações à Rádio ELVAS, D. Francisco Senra Coelho sublinhou a importância da esperança e do respeito entre culturas e crenças e deixou um apelo à paz.
«Quem vem é porque acredita», afirmou o arcebispo, frisando a necessidade de construir paz através do respeito pelas diferenças.
Também presente, o presidente da Câmara Municipal de Elvas dedicou uma palavra especial às pessoas doentes e às que se encontram fora do concelho, reafirmando a dimensão comunitária e solidária das celebrações. A presença das bandas e das coletividades, assim como a mobilização dos escuteiros, reforça o carácter identitário destas festas, que misturam devoção, memória e festa popular.
| Entidade | Origem |
|---|---|
| Banda 14 de Janeiro | Elvas |
| Banda Filarmónica Barranquense | Barrancos |
| Soc. Filarmónica Progresso Matos Galamba | Alcácer do Sal |
A Procissão dos Pendões permanece, para muitos residentes, como um ponto alto do calendário anual de Elvas — não apenas pela dimensão religiosa, mas pelo encontro das gentes e pela preservação de costumes que atravessam gerações. As festas prosseguem com a Feira de São Mateus e outras iniciativas que pontuam o tecido cultural e económico da cidade nos próximos dias.
Ao fim da tarde, quando os pendões foram recolhidos e as bandas cessaram a última nota, ficou a sensação de uma comunidade afirmada na tradição e atenta às gargalhadas e às inquietações do presente — uma cidade que, como tantas no Alentejo, guarda a memória e procura renovar a esperança nas suas celebrações.