O eclipse solar desta quarta‑feira, 12 de agosto, foi acompanhado em Évora não apenas da terra, mas também do ar. Numa iniciativa promovida pela Skydive, o instrutor Gonçalo Resende partiu do Aeródromo Municipal de Évora e saltou numa operação que envolveu um avião com 11 pessoas a bordo e que teve o objetivo explícito de observar e fotografar o fenómeno durante a descida.
Preparação para uma imagem diferente
A ideia surgiu a partir da perceção de que o eclipse permitiria «uma imagem diferente», nas palavras do próprio instrutor. «Sabíamos que não ia ficar totalmente escuro, mas que ia ser interessante o suficiente para fazer uma imagem, uma fotografia de alguém a voar com o eclipse. Era esse o meu objetivo», explicou Gonçalo Resende depois do salto.
A operação foi ajustada ao ritmo do eclipse: o grupo saltou dos 5.000 metros e, para prolongar o tempo de observação em segurança, o paraquedas foi aberto a uma altitude superior à que é habitual nas quedas recreativas. Esta escolha permitiu aos participantes verem o fenómeno a mais de mil metros de altitude durante a descida.
- Local: Aeródromo Municipal de Évora
- Organização: Skydive (instrutor Gonçalo Resende)
- Pessoas a bordo do avião: 11
- Altitude de salto: 5.000 metros
- Proteção ocular: óculos específicos para observação durante queda livre e voo com o paraquedas aberto
Segurança e recolha de imagens
Para permitir a observação segura durante o salto, os participantes foram equipados com óculos próprios para observação do eclipse tanto na queda livre como após a abertura do paraquedas. Além da componente experiencial, houve também o propósito de registo fotográfico: a equipa preparou câmaras para tentar capturar a imagem do paraquedas enquadrado com o disco solar parcialmente oculto.
«A cliente, neste caso, que salta connosco, teve a oportunidade de ver o eclipse de um ponto vantajoso. Acho que não houve muitas pessoas a ver o eclipse do céu», afirmou o instrutor.
A escolha de abrir o paraquedas a uma altitude superior prolongou o tempo de voo com o paraquedas aberto, concedendo uma janela de observação mais extensa do fenómeno. Esta adaptação demonstra como operadores locais de atividades de aviação desportiva em Évora conseguem conjugar a vertente lúdica da experiência com requisitos de segurança.
Uma perspetiva que valoriza a memória do território
Num território onde os céus vastos e a luz são parte da memória coletiva, ver o eclipse de Évora a partir de 5.000 metros acrescentou um capítulo singular à tradição de observação dos astros. A iniciativa atraiu não só praticantes de paraquedismo como também quem procurava um modo diferente de viver um fenómeno astronómico que mobiliza observadores em todo o país.
Do chão do aeródromo à suspensão no ar, a experiência combinou técnica, preparação e o desejo de registar uma imagem que ligue o gesto humano — o salto — ao evento natural. Os promotores da iniciativa sublinharam, após o regresso ao solo, que a preparação e o equipamento adequados foram determinantes para que a operação decorresse dentro dos parâmetros de segurança e de observação pretendidos.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Local de partida | Aeródromo Municipal de Évora |
| Altitude de salto | 5.000 metros |
| Pessoas a bordo | 11 |
| Abertura do paraquedas | Acima da altitude habitual (para prolongar observação) |
O registo fotográfico e as imagens recolhidas durante o salto completarão a memória deste episódio no céu de Évora, ficando para além do relato pessoal dos que saltaram a prova tangível de como um fenómeno natural pode ser vivido em múltiplas perspetivas — e, neste caso, do alto do Alentejo.