Rutura interna deixa executivo sem capacidade de funcionamento
O Partido Socialista de Mangualde divulgou nas redes sociais uma crítica severa à situação política na Junta de Freguesia de Abrunhosa-a-Velha, que classificou como «cada dia mais grave». Segundo a comunicação do PS, a crise instalou-se depois da demissão do tesoureiro e da rejeição, em Assembleia de Freguesia, de uma proposta apresentada pela Presidente, sem obter qualquer voto favorável — inclusive entre os eleitos do próprio partido da Presidente.
O cenário agravou-se com a subsequente demissão do secretário, facto que, de acordo com os socialistas, está a provocar um bloqueio institucional que impede o executivo de assegurar o funcionamento normal da autarquia paroquial.
Perguntas públicas ao PSD de Mangualde
Na nota tornada pública, o PS de Mangualde dirige diversas perguntas ao PSD local, partido que apresentou a candidatura vencedora à freguesia. Entre as interrogações formuladas estão, em síntese:
- Onde está a responsabilidade e a posição política do PSD de Mangualde face à rutura?
- Por que silêncio perante a sucessão de demissões e a alegada falta de confiança interna?
- Tem o PSD soluções para o impasse e assume as consequências das escolhas políticas?
«O silêncio do PSD é um silêncio ensurdecedor»
Acusações sobre capacidade de governação e movimentos independentes
O comunicado do Partido Socialista não se limitou a questionar a atuação do PSD, avançando ainda com uma avaliação política: para os socialistas de Mangualde, as alternativas políticas apresentadas ao eleitorado «carecem de solidez e capacidade de governação». A nota aponta também para os movimentos autónomos nascidos deste espaço político, citando expressamente o movimento denominado «Novo Rumo» como um exemplo de forças que, segundo o PS, «não representam a mudança que anunciam».
«Mudam as siglas, mas as lógicas políticas permanecem», refere o PS, que acrescenta que «a freguesia não pode ser reduzida a um exercício de sobrevivência política individual» e que «a população de Abrunhosa-a-Velha merece saber» se o PSD reconhece a gravidade da situação.
Consequências práticas do bloqueio
A comunicação do PS sublinha as consequências institucionais do conjunto de demissões: um executivo incapaz de funcionar regular e autonomamente compromete a execução das competências da Junta, incluindo a gestão corrente, a execução de decisões aprovadas em Assembleia e a relação operacional com a Câmara Municipal e com os cidadãos da freguesia.
| Elemento | Consequência referida |
|---|---|
| Demissão do tesoureiro | Rejeição de proposta em Assembleia sem votos favoráveis |
| Demissão do secretário | Bloqueio institucional; executivo sem capacidade de funcionamento |
O texto do PS pede ainda explicações públicas e responsabilidades políticas, recordando que «uma força política não pode desaparecer perante os problemas». Não é feita menção, na nota distribuída, a respostas do PSD de Mangualde ou a medidas concretas já tomadas pela presidente da junta ou por outros órgãos para ultrapassar o impasse.
Contexto local e possíveis desdobramentos
Abrunhosa-a-Velha é uma freguesia do concelho de Mangualde cuja administração local depende, como em todas as juntas, da capacidade do executivo para gerir recursos, serviços e executar as deliberações da Assembleia. A acumulação de demissões e a crise de confiança interna, conforme descrita pelo PS, põe em causa a continuidade desses serviços e poderá, em função da evolução dos factos, conduzir a iniciativas formais por parte da Assembleia de Freguesia, do município ou até a convocatórias extraordinárias que clarifiquem responsabilidades e garantam a normalidade administrativa.
Até ao momento, não foi divulgada uma resposta pública do PSD de Mangualde sobre as acusações e perguntas colocadas pelo Partido Socialista. A ausência dessa resposta é precisamente um dos pontos de contestação na mensagem distribuída pelo PS local.
WE NEWS continuará a acompanhar a situação em Abrunhosa-a-Velha e a procurar reacções oficiais do PSD de Mangualde, da presidente da junta e dos órgãos municipais competentes.