O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou um estudo sobre incêndios florestais ocorridos entre 2020 e 2025 que coloca a Covilhã no topo dos concelhos mais afectados no território continental. Segundo o relatório, 28,8 mil hectares arderam naquele concelho no período em análise, um valor superior ao verificado em qualquer outro município do Continente.
Distribuição regional da área ardida
O documento do INE revela que, entre 2020 e 2025, se registaram 50.218 incêndios com ponto de origem identificável no território continental. A região Centro emerge como a mais afectada em termos de área ardida, concentrando 48,6% do total nacional, seguida pela região Norte, com 42,1%. Em conjunto, Norte e Centro representam 90,7% da área ardida no país.
O estudo sublinha também que as áreas classificadas como de alta ou muito alta perigosidade compõem 30,6% da superfície do Continente, mas foram elas que concentraram 80,3% da área ardida no período.
Contributos para a vulnerabilidade local
O relatório do INE aponta factores territoriais e de acessibilidade que agravam o risco e a gravidade dos incêndios. Nas classes de alta e muito alta perigosidade predominavam cobertos de vegetação potencialmente combustível: 84,5% dessas áreas eram floresta e 92,6% eram matos. No conjunto do Continente, 77,6% da área de matos e 47% da área florestal integravam essas classes.
Além da composição do coberto vegetal, a distância aos meios de socorro é salientada como um factor determinante: cerca de 69,6% da superfície classificada como de alta ou muito alta perigosidade encontrava‑se a mais de 15 minutos de tempo de deslocação de um corpo de bombeiros. A proximidade entre áreas edificadas e vegetação combustível — a chamada interface — também é significativa, com 8.168 km de interface directa e 1.373 km de interface indirecta.
«A Covilhã liderou, com 28,8 mil hectares de área ardida»
Municípios mais afectados
O INE lista os dez municípios com maior área ardida entre 2020 e 2025, localizados nas regiões Norte e Centro. Para contextualizar a posição da Covilhã, o relatório destaca ainda outros concelhos com valores elevados.
| Município | Área ardida (hectares) |
|---|---|
| Covilhã | 28.800 |
| Sabugal | 22.600 |
| Sernancelhe | 19.500 |
O relatório refere ainda a repetição de áreas ardidas: no Norte, 25 municípios apresentaram mais de 200 hectares de área ardida sobreposta; no Centro essa situação ocorreu em sete municípios.
Consequências locais e desafios de gestão
Para a Covilhã, a liderança neste indicador do INE implica várias consequências concretas. A elevada área ardida reflecte não apenas a ocorrência de grandes fogos, mas também padrões repetidos de queima em determinados territórios, o que tem impactos ambientais (erosão, degradação do solo, perda de biodiversidade), económicos (afectação de recursos florestais e agrícolas) e sociais (ameaça a populações e bens).
- Pressão sobre serviços de protecção civil e bombeiros locais, dada a distância a infra‑estruturas de intervenção;
- Necessidade de políticas de gestão da paisagem e da vegetação que reduzam combustível e promovam mosaicos menos contínuos de combustíveis;
- Planeamento urbano que minimize a interface crítico entre zonas edificadas e vegetação.
O enquadramento estatístico do INE oferece uma base para decisões de planeamento e investimento: desde reforço de meios operacionais e de proximidade até medidas de prevenção e de ordenamento do território. A informação sobre tempo de deslocação dos meios de socorro e a extensão da interface urbano‑florestal é particularmente útil para priorizar intervenções e definir estratégias locais de mitigação.
Com a publicação destes dados, caberá às autoridades municipais e regionais, aos serviços de protecção civil e às comunidades locais transformar a análise estatística em medidas concretas de redução de risco, prevenção e resiliência territorial, especialmente numa área como a Covilhã, cujo território e estrutura demográfica colocam desafios específicos à gestão do risco de incêndio.