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Coimbra recebe apresentação do MODE para detetar desperdício no SNS e reforçar governação de dados

Na conferência de encerramento da pós-graduação em Gestão da Fraude Organizacional, em Coimbra, a SPMS mostrou o MODE — solução de inteligência artificial financiada pelo PRR — e defendeu a articulação entre sistemas centrais, auditorias locais e entidades de monitorização da despesa do SNS.

Coimbra recebe apresentação do MODE para detetar desperdício no SNS e reforçar governação de dados
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

Na sessão de encerramento da Pós‑Graduação em Gestão da Fraude Organizacional, realizada este sábado, 26 de setembro, na Coimbra Business School, responsáveis da Sociedade Portuguesa de Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) expuseram um conjunto de ferramentas e propostas destinadas a reforçar a prevenção e a deteção de fraude no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Apresentação do MODE

Carlos Pinto Rodrigues, vogal do Conselho de Administração da SPMS, apresentou o MODE — Modelo de Acompanhamento do Desperdício do Serviço Nacional de Saúde (SNS), uma solução baseada em técnicas de inteligência artificial, desenvolvida pela SPMS e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O MODE combina regras de negócio consolidadas com algoritmos de aprendizagem automática e assenta, em grande medida, na informação produzida pelo Centro de Controlo e Monitorização do SNS, integrado na SPMS.

«Modelo de Acompanhamento do Desperdício do Serviço Nacional de Saúde (SNS)»

A intenção declarada dos responsáveis é que o MODE funcione como um instrumento de apoio à prevenção do desperdício e à deteção precoce de padrões de risco associados à prescrição, prestação de cuidados e faturação no SNS, articulando‑se com auditorias internas das unidades locais de saúde e com as entidades centrais competentes na monitorização da despesa.

Participação local e temas de fundo

Na conferência esteve também Rui Gomes, diretor do Departamento de Transformação e Inovação Digital da Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULSC), e a sessão foi moderada por Jorge Nunes, coordenador da pós‑graduação. Os intervenientes situaram o MODE num contexto mais amplo: a crescente digitalização dos processos de saúde, o aumento da complexidade dos fluxos de dados e as exigências acrescidas em matéria de conformidade e ética.

Os oradores sublinharam a necessidade de um modelo de governação que potencie a utilização de dados provenientes de sistemas de informação geridos pela SPMS, de modo a:

  • identificar situações de utilização ineficiente dos recursos e prevenir desperdícios;
  • reforçar a monitorização da despesa, integrando controlos centrais e auditorias locais;
  • promover uma análise articulada de casos anómalos que permita intervenções mais célere e fundamentadas.

Como funciona e que papel para as estruturas locais

Segundo a descrição feita na sessão, o MODE utiliza dados típicos do Centro de Controlo e Monitorização do SNS, cruzando regras de negócio com algoritmos de aprendizagem automática para sinalizar padrões de risco. Prevê‑se a sua integração com processos de auditoria interna nas unidades locais de saúde — onde se inclui a ULSC — e com as entidades centrais responsáveis pela vigilância da despesa pública em saúde.

Componente Função
Regras de negócio Triagem inicial e validação de padrões conhecidos
Algoritmos de aprendizagem automática Deteção de anomalias e padrões emergentes
Centro de Controlo e Monitorização do SNS Fonte principal de dados para análises

Os intervenientes vincaram que, perante os desafios trazidos pela digitalização, torna‑se imperativo alinhar competências técnicas e estruturas de governação para que as soluções tecnológicas se traduzam em ganhos reais de eficiência e transparência.

Implicações para Coimbra e para o SNS

Para Coimbra, a apresentação do MODE e a participação ativa da ULSC traduzem‑se numa oportunidade para aprofundar a ligação entre as unidades locais e as plataformas centrais de monitorização. A articulação prevista entre o MODE e as auditorias internas pode acelerar a identificação de práticas ineficientes e facilitar respostas localmente fundamentadas, sem prescindir da coordenação central.

Em termos mais gerais, a aposta em soluções financiadas pelo PRR coloca a digitalização e o controlo de despesa no centro das prioridades de modernização do SNS. Resta saber, no entanto, como será operacionalizada a partilha de dados, quais os mecanismos de proteção e confidencialidade a adoptar e de que forma as unidades de saúde locais serão apoiadas para integrar estas novas ferramentas nos processos quotidianos.

O encerramento da pós‑graduação em Gestão da Fraude Organizacional em Coimbra trouxe, assim, ao debate público temas técnicos e de governação que terão impacto directo na gestão dos recursos públicos de saúde e na qualidade de supervisão das práticas clínicas e administrativas.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

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