Empresa aponta «normalidade» e limitações de sistema no escoamento de passageiros
O presidente da Metro Mondego considerou esta quarta-feira que as filas de passageiros que saem do comboio e aguardam pelo «metrobus» no terminal de Coimbra-B, durante o período da manhã, são um fenómeno «normal em qualquer país do mundo», quando vários comboios chegam ao mesmo tempo. A explicação foi dada face a registos de constrangimentos e aglomerados naquele ponto de transbordo.
Leonel Serra, que preside à empresa e é antigo quadro da CP, sustentou que o problema resulta, em grande medida, da coincidência temporal de grandes volumes de passageiros. Como exemplo, referiu que se dois comboios aportarem «com cerca de 300 pessoas no mesmo momento», serão necessários sempre cerca de 15 minutos para que o sistema as escoe. Nos dados apresentados, entre as 08:40 e as 09:04 ocorreram 8 circulações saindo de Coimbra-B, o que corresponde, segundo a Metro Mondego, a uma média de 136 pessoas por circulação e a cerca de 900 pessoas potencialmente a necessitar de escoamento nesse intervalo.
«Esperar 10 minutos por um transbordo é normal em qualquer local, em qualquer país do mundo»
Leonel Serra relativizou comparações com a antiga ligação ferroviária entre Coimbra-B e a Baixa (Coimbra-A), argumentando que essa linha não oferecia o mesmo número de circulações em hora de ponta e, por isso, não gerava o mesmo tipo de pressões ao nível dos transbordos imediatos. Recordou ainda que, nessa altura, os passageiros que chegavam à estação esperavam muitas vezes pelos SMTUC durante períodos superiores a meia hora até seguirem para a cidade.
Limites do desenho operacional e pedidos de reforço
Questionado sobre a possibilidade de reforço imediato do serviço em hora de ponta para mitigar as esperas em Coimbra-B, o presidente da Metro Mondego afirmou que não é viável aumentar a frequência para além do limite já previsto: o intervalo de cinco minutos entre veículos foi apontado como o «máximo» possível dada a forma como o sistema foi desenhado.
A empresa realçou também que situações semelhantes — vários comboios a chegar em simultâneo e a criar pressão sobre os modos de transporte subsequentes — ocorrem noutros pontos do país, e que nenhum sistema, por «melhor que seja», consegue escoar de imediato volumes de centenas de passageiros que desembarcam ao mesmo tempo.
- 8 circulações entre as 08:40 e as 09:04, segundo a Metro Mondego
- Média indicada: 136 pessoas por circulação
- Estimativa total de utentes a escoar: cerca de 900
- Tempo necessário para escoar grandes chegadas: cerca de 15 minutos
- Intervalo mínimo de serviço no «metrobus»: 5 minutos
Impacto local e expectativas
O serviço «metrobus» que parte de Coimbra-B assegura atualmente ligações até à Praça da República, à restante linha urbana de Coimbra e prolongamentos para os concelhos da Lousã e Miranda do Corvo, com promessa de extensão futura aos hospitais. Para muitos utentes, a coordenação temporal entre comboios e autocarros é determinante no tempo total de deslocação diária e na perceção de qualidade do transporte público.
A posição da Metro Mondego abre um debate técnico sobre gestão de fluxos, sincronização de horários e capacidade de resposta em horas de ponta, sem, contudo, apresentar medidas concretas de curto prazo para reduzir as esperas registadas por alguns passageiros. Afirmando limitações operacionais e comparando a realidade de Coimbra com outros aglomerados nacionais, a empresa sublinha que a situação decorre da concentração de chegadas ferroviárias e do desenho do sistema de transbordo.
Dados numéricos do período citado
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Circulações entre 08:40 e 09:04 | 8 |
| Média por circulação | 136 pessoas |
| Total potencial de passageiros | ~900 pessoas |
| Tempo estimado para escoar grande chegada | 15 minutos |
| Intervalo mínimo atual entre «metrobus» | 5 minutos |
Perante este quadro, a questão permanece sobre como optimizar a ligação entre ferrovia e transporte urbano em Coimbra, sem ultrapassar limites operacionais estabelecidos, e sobre que medidas de planeamento e comunicação poderão ser adotadas para reduzir a sensação de responsabilidade exclusiva dos utentes perante esperas consideradas «normais» pela operadora.