A Câmara Municipal de Castelo Branco está a equacionar uma alteração profunda ao desenho da mobilidade urbana: em vez de privilegiar a construção de ciclovias segregadas, o executivo pondera promover a circulação de bicicletas em conjunto com os automóveis, medida que implicará, segundo o presidente da autarquia, a redução dos limites de velocidade em várias artérias da cidade.
Documento de referência e estudos em curso
Segundo o presidente da Câmara, a autarquia está a elaborar um caderno de encargos para o concurso de concessão do serviço de transportes. O documento – descrito como abrangente e complexo – deverá assentar em diversos relatórios prévios, incluindo estudos de tráfego, de disponibilidade e qualidade de meios, e avaliações económicas e jurídicas. Apenas depois dessa análise será discutido o modelo final com a comunidade.
«Tudo isto está a ser equacionado e em devido tempo será discutido para se encontrar o melhor modelo que satisfaça as necessidades de transporte dentro do concelho de Castelo Branco e que contribua para a sustentabilidade ambiental»
A observação do executivo é prudente: as decisões sobre desenho viário e opções por ciclovias ou circulação mista implicam não só escolhas técnicas mas também enquadramento legal e aceitação social. O presidente da Câmara referiu, ainda, que o tema foi abordado no fórum municipal «Mobilidade para Todos, Justiça Entre Gerações - Combina e Move-te!», integrado na Semana Europeia da Mobilidade.
Avaliação das ciclovias anteriores e alternativas
O autarca lembrou que as ciclovias iniciadas em mandatos anteriores «acabaram em soluções contestadas e que são problemáticas». Em consequência, foi solicitada uma avaliação dessas intervenções, e uma das hipóteses em análise é justamente a de não prosseguir com novos espaços dedicados exclusivamente a ciclovia.
Entre as consequências práticas da circulação mista, a Câmara aponta a necessidade de rever os limites de velocidade nas vias urbanas. A redução de velocidade é indicada como mecanismo para conciliar a presença de velocípedes com o tráfego motorizado, mas o autarca sublinhou que «são aspetos que ainda não fechámos, pela sua complexidade».
Transportes e frota municipal
Paralelamente às reflexões sobre as infraestruturas cicláveis, o município adquiriu dois autocarros 100% elétricos, um com 39 lugares e outro com 17 lugares, cofinanciados pelo Fundo Ambiental em cerca de 420 mil euros. Estas viaturas não integrarão a rede regular de passageiros, sendo destinadas a serviços ocasionais promovidos pelo município e a outras ações a definir.
| Veículo | Lotação | Financiamento aproximado |
|---|---|---|
| Autocarro elétrico A | 39 lugares | ~420.000 € (cofinanciamento pelo Fundo Ambiental) |
| Autocarro elétrico B | 17 lugares |
- O caderno de encargos para o novo serviço de transportes está em elaboração e exigirá estudos técnicos e legais.
- A Câmara admite privilegiar circulação mista de bicicletas e automóveis, com redução de limites de velocidade.
- Foram adquiridos dois autocarros elétricos para serviços municipais, cofinanciados pelo Fundo Ambiental.
Do ponto de vista prático, a decisão do município terá impactos na segurança rodoviária, na fluidez do trânsito e na promoção de modos de transporte sustentáveis. A substituição de ciclovias segregadas por soluções integradas exige não apenas ajustes legais e técnicos, mas também campanhas de sensibilização e medidas de fiscalização para garantir que a redução dos limites de velocidade se traduza em benefícios efetivos para todos os utilizadores das vias.
Nas próximas semanas, a autarquia deverá dar continuidade aos estudos referidos e promover os necessários processos de auscultação pública e pareceres técnicos, antes de avançar com opções definitivas. Até lá mantém-se a incerteza quanto ao traçado futuro da mobilidade ligeira em Castelo Branco, num debate que combina aspetos de planeamento urbano, segurança e sustentabilidade ambiental.