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Castelo Branco exige ao Governo instalação imediata do Tribunal Central Administrativo do Centro

A Câmara Municipal aprovou por unanimidade uma moção que reclama o cumprimento do decreto-lei que criou o TCAC e exige a instalação do tribunal na cidade ainda em 2026, contestando declarações da ministra da Justiça sobre dificuldades de fixação de magistrados.

Castelo Branco exige ao Governo instalação imediata do Tribunal Central Administrativo do Centro
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

Na reunião pública de 18 de setembro, a Câmara Municipal de Castelo Branco aprovou, por unanimidade, uma moção que exige ao Governo a instalação efectiva do Tribunal Central Administrativo do Centro (TCAC) na cidade ainda em 2026. A deliberação surge na sequência de declarações da ministra da Justiça que, na semana anterior, colocaram em causa a implantação do tribunal na região.

Recordar o processo e o compromisso assumido

Segundo a moção apresentada, o executivo municipal recordou o historial do processo, que inclui um anúncio ministerial datado de 13 de abril de 2023 e a criação do TCAC por decreto-lei validado em Conselho de Ministros. A autarquia salienta que, nessa altura, ficou definido que seria o Município a identificar e adaptar um edifício para as instalações do tribunal.

Data Evento
13 de abril de 2023 Anúncio da criação do TCAC e validação em Conselho de Ministros
Antes de 2026 Aquisição, pelo Município de Castelo Branco, de um antigo solar na Rua São Sebastião para acolher o tribunal
18 de setembro de 2026 Aprovação por unanimidade da moção municipal exigindo a instalação do TCAC na cidade ainda em 2026

Reacção às declarações da ministra

A tomada de posição do executivo local foi motivada por declarações da ministra da Justiça, Rita Júdice, que afirmou que «não é um Tribunal Central Administrativo que permitirá o aumento de volume processual ou de pessoas a residir no concelho». A autarquia interpreta tais observações como uma forma de minimizar a relevância da instalação do TCAC em Castelo Branco e reagiu com firmeza.

«Não é um Tribunal Central Administrativo que permitirá o aumento de volume processual ou de pessoas a residir no concelho» — Rita Júdice

Na apresentação da moção, o presidente da Câmara recordou ainda que a escolha de Castelo Branco para a sede do TCAC resultou de uma negociação difícil e contestada por outros municípios, nomeadamente Viseu e Coimbra. O autarca afirmou que houve «muita concorrência» e que deputados do círculo eleitoral de Coimbra terão feito «lobby em favor da instalação do tribunal em Coimbra», sustentando a expectativa de que o compromisso assumido fosse cumprido.

Infraestrutura municipal e expectativas locais

Para cumprir o acordado, o Município adquiriu um antigo solar na Rua São Sebastião, cuja adaptação estava prevista como responsabilidade local. Na moção, a Câmara defende que esta disponibilidade demonstra boa-fé e empenho em assegurar condições físicas para a instalação do tribunal, contrapondo-se a argumentos que apontam dificuldades de fixação de magistrados e funcionários judiciais na cidade.

  • Responsabilidade municipal: identificação e adaptação de edifício já realizada com a compra do solar na Rua São Sebastião.
  • Reivindicação política: exigência de cumprimento do decreto-lei que criou o TCAC e calendário de instalação em 2026.
  • Impacto potencial: debates sobre coesão territorial, acesso à justiça e dinamização económica local.

Consequências para Castelo Branco

A proposta de instalação do TCAC em Castelo Branco tem implicações que vão além da esfera judicial. A presença de um tribunal central administrativo pode alterar fluxos processuais, reduzir deslocações de utentes para tribunais mais distantes e criar necessidades logísticas e de serviços de apoio. Para além disso, a atribuição da sede a Castelo Branco era vista pela autarquia como um reconhecimento de território e um instrumento de coesão territorial.

Na moção aprovada por unanimidade, a Câmara pede que o Governo «cumpra a lei» e proceda à instalação atempada do TCAC na cidade, reiterando uma disponibilidade já materializada através da aquisição do imóvel destinado às instalações. Até ao momento, o executivo local espera uma resposta clara da tutela que confirme calendário e medidas concretas para a vinda do tribunal.

A discussão mantém-se aberta entre o Município e o Ministério da Justiça, com a acentuação de um conflito institucional sobre prioridades e estratégias de descentralização de serviços judiciais. Para os habitantes de Castelo Branco, o desfecho terá impacto direto no acesso à justiça e, potencialmente, nas dinâmicas urbanas e económicas locais.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

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