A Câmara Municipal de Cantanhede adjudicou a requalificação da Marginal da Praia da Tocha à empresa Alvorada Tranquila, num investimento de 1.683.680,57 euros. O contrato prevê um prazo de execução de 450 dias e o arranque dos trabalhos está programado para ainda este ano, com término estimado para o final da primavera de 2028.
Calendário e condicionamentos
O cronograma da intervenção integra condicionamentos específicos para preservar a atividade balnear: durante a época balnear de 2027 não poderão decorrer trabalhos na marginal. A adjudicação estipula também que o empreiteiro assegure o acesso a moradores e estabelecimentos comerciais e mantenha a avenida transitável, limpa e segura ao longo das obras.
Objectivos da intervenção
O projecto, candidatado ao programa Portugal Centro 2030 no âmbito da Reabilitação e Regeneração Urbanas e ainda dependente de aprovação de financiamento, pretende requalificar os acessos à praia e valorizá‑la como espaço público. Entre as linhas orientadoras estão a utilização de pavimentos permeáveis e soluções sustentáveis, a preservação de elementos patrimoniais — com destaque para os palheiros da Tocha — e a articulação com os saberes ligados à Arte Xávega.
- Prioridade à circulação pedonal em detrimento do automóvel;
- Requalificação de avenidas e consolidação de acessos à orla;
- Proteção e valorização dos elementos patrimoniais e de memória local.
Impacto local e expectativa
A presidência da Câmara justificou a intervenção como uma operação que vai além da simples estética: pretende tornar a zona «mais acessível, funcional, atractiva e resiliente», conciliando interesses turísticos, económicos e ambientais. A autarquia salienta igualmente que a obra representa um esforço por devolver um espaço público para fruição de moradores e visitantes, melhorando mobilidade e segurança e promovendo uma relação mais equilibrada com o mar.
«A requalificação da Marginal não significa apenas melhorar a sua aparência, significa tornar esta zona nobre mais acessível, funcional, atractiva e resiliente, conciliando os interesses turísticos, económicos e ambientais»
A intervenção foi o projecto mais votado no primeiro Orçamento Participativo promovido pelo Município de Cantanhede, o que lhe confere um sinal de legitimidade pública e de prioridade política local. A votação no processo participativo mostra uma convergência entre a vontade dos participantes e a agenda da Câmara em reabilitar espaços costeiros com significado comunitário.
Dados centrais da adjudicação
| Item | Valor / prazo |
|---|---|
| Empresa adjudicatária | Alvorada Tranquila |
| Montante | 1.683.680,57 € |
| Prazo de execução | 450 dias |
| Arranque | Ano em curso (previsto) |
| Conclusão prevista | Final da Primavera de 2028 |
| Financiamento | Candidato ao Portugal Centro 2030 (a aguardar aprovação) |
Do ponto de vista urbano e ambiental, a aposta em pavimentos permeáveis e em soluções que privilegiem o peão está alinhada com boas práticas contemporâneas de planeamento costeiro, que procuram reduzir a impermeabilização do solo e aumentar a resiliência face a fenómenos de erosão e a eventos climáticos extremos. A integração do património — como os palheiros — com a estruturação do espaço público também responde a uma lógica de conservação cultural e de promoção turística diferenciada.
Para residentes e comerciantes da Tocha, a definição de períodos sem obra durante a época balnear de 2027 e a obrigação de manter acessos e condições de segurança são medidas relevantes para mitigar os impactos económicos e de mobilidade. A concretização do projecto dependerá, além disso, da eventual aprovação do financiamento solicitado ao quadro comunitário regional.
A obra na marginal constitui, assim, um investimento municipal de relevo no litoral de Cantanhede, com implicações directas na acessibilidade costeira, na oferta turística e na salvaguarda do património local.