As Caldas da Rainha assinalam, a 26 de agosto, o 99.º aniversário da elevação a cidade e aproveitam a data para dar início às comemorações oficiais do Centenário da Elevação das Caldas da Rainha a Cidade (1927-2027). O município apresentou um programa que visa articular memória, vida contemporânea e projeto de futuro, com o objetivo de envolver a comunidade em iniciativas que ultrapassem o carácter comemorativo e promovam reflexão sobre identidade e desenvolvimento local.
Três eixos para ler o passado, o presente e o futuro
O programa estruturante das comemorações assenta em três eixos narrativos anunciados pela Câmara Municipal: Cidade Revisitada, Cidade Vivida e Cidade Imaginada. Cada eixo procura uma aproximação distinta à História e à contemporaneidade do concelho, incluindo atividades culturais, patrimoniais e de participação pública.
- Cidade Revisitada — valorização da memória e do arquivo: recolha e organização de fontes, exposições, leituras históricas, evoluções urbana e territorial, publicações e roteiros.
- Cidade Vivida — enfoque na vida contemporânea: eventos e ações que mostrem a cidade em atividade, a sua diversidade social e cultural.
- Cidade Imaginada — projecção para o futuro: debates, propostas e iniciativas que convidem a comunidade a refletir sobre a cidade que deseja para as próximas gerações.
O município salientou que as comemorações não devem limitar‑se a uma efeméride isolada, mas antes servir para «revisitar a história da cidade, valorizar a sua identidade e vitalidade contemporânea e, sobretudo, pensar e construir uma visão para o seu futuro» — palavras do presidente da Câmara, Vítor Marques, citadas na nota de imprensa municipal.
Orientação artística e alcance comunitário
As celebrações do centenário terão a presidência artística do caldense João Paulo Feliciano. Segundo a autarquia, a intervenção do artista pretende oferecer uma abordagem transversal e contemporânea ao conjunto das iniciativas, articulando diferentes domínios da criação com os objetivos de memória e participação pública do programa.
«Celebrar os 100 anos da elevação das Caldas da Rainha a cidade é celebrar a história, as pessoas e tudo aquilo que construímos juntos. É também uma oportunidade para olhar para o futuro e imaginar a cidade que queremos deixar às próximas gerações.»
O município expressa ainda o desejo de que o ano de 2027 funcione «apenas o início de novos projetos, novas ideias e novos caminhos para as Caldas da Rainha», sublinhando a ambição de que o centenário seja vivido por toda a comunidade e não apenas por programas pontuais.
Agenda e instrumentos previstos
Na informação pública sobre o programa, a Câmara refere um conjunto de instrumentos e tipos de ação que integrarão os eixos temáticos: recolha e organização de fontes documentais, exposições, leituras e publicações históricas, roteiros urbanos, intervenções artísticas e projetos de participação. A articulação entre memória e inovação cultural é apresentada como linha orientadora.
| Eixo | Objetivo | Ferramentas previstas |
|---|---|---|
| Cidade Revisitada | Compreender a formação e transformação da cidade | Arquivo, exposições, publicações, roteiros |
| Cidade Vivida | Valorizar a cidade contemporânea | Eventos, intervenções culturais, projetos comunitários |
| Cidade Imaginada | Projetar o futuro e mobilizar cidadãos | Debates, propostas, iniciativas participativas |
Os pormenores do programa, tais como calendários de eventos, parceiros institucionais e apoios financeiros, deverão ser divulgados progressivamente pela Câmara Municipal à medida que se aproximarem as datas centrais das celebrações.
Impacto local e sentido cívico
Para além do simbolismo histórico, a iniciativa centra-se também na função cívica e estratégica de uma celebração urbana: consolidar memória coletiva, dinamizar o tecido cultural e abrir espaço a projectos que deixem marcas duradouras no território. A escolha de uma presidência artística pretende, por sua vez, integrar a criação contemporânea no esforço de leitura e renovação da cidade.
À medida que a cidade entra na reta dos últimos meses antes do centésimo aniversário, a expectativa entre agentes culturais, instituições e moradores é a de que as celebrações não fiquem apenas na componente comemorativa, mas se traduzam em propostas concretas para o desenvolvimento cultural e urbano das Caldas da Rainha.