Fecho temporário e investigação em curso
A Câmara das Caldas da Rainha anunciou o encerramento do Hospital Termal local desde 20 de agosto, na sequência da deteção de uma colónia da bactéria pseudomonas numa análise de rotina realizada aos circuitos da água termal pela Unidade de Saúde Pública. A presença do microrganismo foi identificada na Central Técnica, a jusante das captações, motivo que motivou a suspensão imediata dos tratamentos termais.
Localização da contaminação e garantias
Em comunicado, a autarquia sublinha que a bactéria foi detectada apenas na Central Técnica e não nos furos de captação de água, situados na Mata Rainha D. Leonor. A Câmara acrescenta que «não está em causa a saúde das pessoas que frequentam as Termas das Caldas da Rainha», posição que traduz a avaliação inicial das equipas de saúde pública sobre o risco direto aos utentes, dado o ponto identificado da ocorrência.
Possível causa ligada a intervenções técnicas
Segundo a mesma nota, a deteção poderá estar relacionada com intervenções técnicas iniciadas a 05 de agosto, quando se procedeu à substituição da bomba submersível do furo designado AC2, que apresentava anomalias. A autarquia informa que equipas técnicas e as autoridades de Saúde Pública estão a acompanhar o processo e que o Hospital Termal só reabrirá após a repetição de todas as análises laboratoriais e a confirmação da ausência de risco.
- Data do encerramento: 20 de agosto.
- Local de deteção: Central Técnica do Hospital Termal (jusante das captações).
- Ação em curso: acompanhamento por equipas técnicas e autoridades de Saúde Pública; repetição de análises laboratoriais.
- Utentes com marcações: já foram contactados para reagendamento.
«A bactéria foi detetada apenas na Central Técnica e não nos furos de captação de água», refere a Câmara das Caldas da Rainha.
Contexto histórico e medidas anteriores
O Hospital Termal das Caldas da Rainha faz parte do património termal concedido ao município em 2015. O complexo tem um historial de suspensões de tratamentos devido à presença de pseudomonas nas canalizações, tendo já estado encerrado por períodos variáveis nas últimas décadas. Em 1997, por exemplo, houve uma suspensão prolongada dos tratamentos por três anos e meio devido à mesma bactéria. Entre 2004 e 2012 registaram-se novas interrupções por diferentes períodos.
| Ano | Ocorrência |
|---|---|
| 1997 | Suspensão dos tratamentos por presença de pseudomonas nas canalizações (cerca de três anos e meio). |
| 2004, 2005, 2009, 2012 | Novas suspensões dos tratamentos por períodos diversos. |
| 2016 | Execução de nova rede de distribuição de água termal, independente das canalizações antigas, sob gestão municipal. |
Em 2016, já sob gestão da autarquia, foi construída uma nova rede de distribuição de água termal, completamente independente, com o objetivo explícito de substituir as canalizações antigas e prevenir contaminações futuras. Apesar dessas intervenções estruturais, a deteção agora comunicada relembra a vulnerabilidade de sistemas técnicos e a necessidade de vigilância laboratorial continuada.
Impacto para utentes e próximos passos
A Câmara garante que os utentes com sessões agendadas foram contactados e orientados para o reagendamento. Quanto ao calendário de reabertura, a decisão dependerá da repetição e confirmação das análises laboratoriais que atestem a inexistência de contaminação na Central Técnica. Até lá, as equipas técnicas municipais e as entidades de saúde pública mantêm acompanhamento conjunto para determinar as medidas de descontaminação e prevenção adequadas.
Para a população das Caldas da Rainha, o fecho temporário do Hospital Termal representa uma interrupção de um serviço médico-terapêutico e recreativo de longa tradição na cidade, ao mesmo tempo que coloca foco na importância das práticas de manutenção e controlo microbiológico em infraestruturas que utilizam recursos hídricos subterrâneos.