Alteração temporária no executivo municipal de Beja
A vice-presidente da Câmara Municipal de Beja, Liliana Cabecinha, suspendeu o seu mandato a partir desta quinta-feira e não exercerá funções no executivo até ao dia 10 de janeiro de 2027, decisão que foi formalizada e aprovada, por unanimidade, na reunião de câmara descentralizada realizada em Santa Clara de Louredo.
O presidente do município, Nuno Palma Ferro, esclareceu à agência Lusa que a suspensão tem por base «motivos de natureza pessoal e profissional» e anunciou que será convidado, de forma formal, o elemento que ocupará interinamente o cargo. De acordo com o autarca, será João Brás da Silva — atual chefe de gabinete do presidente e número três da lista do movimento Beja Consegue — a integrar temporariamente o executivo.
«Recordo que isto é apenas a suspensão de um mandato e que não é um adeus, é um até já. Nos próximos tempos, não é por não assumir funções no executivo que vou deixar de estar presente, aliás estarei ainda mais presente.»
Aquela declaração foi proferida por Liliana Cabecinha durante a reunião do executivo e transmitida em direto online, segundo a edição consultada pela Lusa. A suspensão terá a duração de 122 dias, conforme foi explicado pelo presidente, e no prazo de cerca de duas semanas — na próxima reunião de câmara, prevista para decorrer daqui a 15 dias — estará formallyizada a tomada de posse do substituto.
Procedimentos e garantias de continuidade
Na sessão descentralizada, onde a decisão foi aprovada por unanimidade, o presidente procurou transmitir uma imagem de estabilidade: «o projeto Beja Consegue continua com o mesmo foco e da mesma forma», disse, acrescentando que, apesar da mudança de pessoal, «as coisas não param» e o executivo continuará a trabalhar para cumprir o programa eleitoral apresentado à cidade.
O processo seguiu a ordem política da coligação que sustenta o mandato — formada por PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal — e, segundo o presidente, o convite a João Brás da Silva será formalizado de imediato, seguindo-se a sua tomada de posse na reunião de câmara mencionada.
- Data de início da suspensão: a partir desta quinta-feira (data da formalização na reunião).
- Duração anunciada: 122 dias, até 10 de janeiro de 2027.
- Substituto previsto: João Brás da Silva, chefe de gabinete e número três da lista do Beja Consegue.
- Deliberação: aprovada por unanimidade na reunião descentralizada em Santa Clara de Louredo.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Vice-presidente em suspensão | Liliana Cabecinha |
| Substituto | João Brás da Silva |
| Início da suspensão | Esta quinta-feira (formalização na reunião) |
| Fim previsto | 10 de janeiro de 2027 |
| Duração | 122 dias |
O impacto local e a voz das gentes
Para os habitantes e agentes económicos de Beja, a substituição temporária no executivo é um facto relevante na medida em que pode condicionar a tramitação de processos municipais que dependam de decisões políticas concertadas. Ainda assim, a garantia do presidente de câmara sobre a continuidade do projeto tem como objectivo minimizar apreensões quanto à execução de políticas e obras em curso.
No tom próprio das terras alentejanas, a decisão foi explicada sem estridências durante a reunião descentralizada, que decorreu numa das freguesias do concelho. A forma como foi comunicada — com unanimidade e com a promessa de retorno por parte da titular do mandato — pretendeu também salvaguardar a imagem pública do executivo e garantir aos munícipes que não haverá descontinuidade programática durante o período de suspensão.
Os próximos passos passam pelo convite formal a João Brás da Silva e pela sua tomada de posse naquela sessão de câmara marcada dentro de 15 dias, segundo a calendarização avançada pelo presidente. Até lá, o município manterá as rotinas administrativas e políticas habituais enquanto aguarda a formalização da mudança temporária no executivo.
Em Beja, onde a memória das instituições e a voz das gentes são peças centrais do quotidiano cívico, a substituição de uma figura do executivo municipal abre um capítulo de transição que, pelas garantias já prestadas, pretende ser apenas passageiro.