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Beja: nova campanha arqueológica no Outeiro do Circo visa preparar o sítio para visitação

Uma campanha de campo entre 17 de agosto e 11 de setembro relança as escavações no povoado fortificado do Outeiro do Circo, com projecto trienal, financiamento da Câmara de Beja e intenção de reforçar a abertura do sítio à comunidade e à investigação internacional.

Beja: nova campanha arqueológica no Outeiro do Circo visa preparar o sítio para visitação
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Entre Mombeja e Beringel, no concelho de Beja, recomeçam este mês os trabalhos de campo no Outeiro do Circo, um povoado fortificado da Idade do Bronze com cerca de 3.000 anos. A campanha decorre entre 17 de agosto e 11 de setembro e integra-se num projecto arqueológico mais amplo com duração prevista até 2029.

Os estudos no Outeiro do Circo não são novidade: segundo a descrição do projecto, «

Este importante povoado fortificado, com cerca de 3000 anos, tem sido investigado desde 2008
», mas os trabalhos de campo estiveram suspensos desde 2021. A pausa foi aproveitada para uma série de estudos laboratoriais e de gabinete sobre a vasta colecção de artefactos já recolhida — cerca de 30.000 peças — que agora informam a nova fase de intervenção.

Equipa, financiamento e parceiros

O novo projecto (2026–2029) assume uma estrutura de investigação renovada. O investigador responsável é Nelson J. Almeida, docente de Arqueologia na Universidade de Évora, com ligações científicas a várias instituições nacionais e internacionais, incluindo a UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, a Universidade Complutense de Madrid e o Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, em Leipzig. Trata‑se de uma continuidade da colaboração que tem marcado o projecto arqueológico do Outeiro do Circo.

A iniciativa é financiada pela Câmara Municipal de Beja e reúne um conjunto de parceiros locais e regionais: a União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja, a associação O Legado da Terra — Cooperativa de Responsabilidade Limitada e o Museu Rainha Dona Leonor, em Beja. A articulação entre universidade, museu e autarquias pretende potenciar as múltiplas dimensões do sítio — investigação, conservação e divulgação.

  • Datas da campanha de escavação: 17 de agosto a 11 de setembro (2026).
  • Duração do projecto: 2026–2029 (quatro anos).
  • Material já recolhido: cerca de 30.000 artefactos de trabalhos anteriores.

Objectivos científicos e de abertura ao público

Um dos desígnios anunciados para esta fase é aumentar a área de escavação junto a um troço da muralha do povoado, com um objectivo prático e simbólico claro: criar condições para a futura visitação do sítio. O reforço da componente de divulgação é tido como central pelo projecto, que prevê uma maior presença em encontros científicos internacionais e a realização de iniciativas dirigidas às comunidades locais.

O trabalho, assumido como multidisciplinar, parte da memória material acumulada nas campanhas anteriores e dos resultados dos exames laboratoriais realizados durante a pausa. A intenção é, por um lado, aprofundar o conhecimento sobre a ocupação e fortificação do território na Idade do Bronze; por outro, tornar o sítio mais acessível e compreensível para quem vive nas localidades vizinhas e para visitantes.

Item Dados
Período da campanha 2026 17/08 — 11/09/2026
Duração do projecto 2026–2029 (4 anos)
Instituição financiadora Câmara Municipal de Beja
Parceiros destacados União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja; O Legado da Terra; Museu Rainha Dona Leonor

Significado para a região

O Outeiro do Circo ocupa um lugar singular na paisagem e na memória arqueológica do distrito de Beja. A reabertura dos trabalhos de campo representa, para as localidades vizinhas, uma oportunidade de reactivar laços com o passado, de envolver jovens e escolas e de promover o desenvolvimento cultural ligado ao património.

Ao preparar o sítio para receber visitantes, o projecto coloca também questões práticas sobre interpretação, conservação e sustentabilidade da fruição pública. A coordenação entre investigação científica, museus locais e entidades municipais será determinante para que o conhecimento produzido reverta em benefício da comunidade.

Se a campanha de 2026 retomar e aprofundar intervenções já iniciadas em 2008, será também uma ocasião para que as conclusões das análises laboratoriais realizadas nos últimos anos se traduzam em novos percursos expositivos e em projectos educativos. Para o território alentejano, a investigação continua a ser uma forma de olhar para a paisagem e para as gentes que a habitaram, mantendo vivas vozes e marcas que atravessaram milénios.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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