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Beja inaugura novo Palácio da Justiça após década de projecto e obra

O novo Palácio da Justiça de Beja é inaugurado hoje, numa cerimónia que reúne o primeiro‑ministro e a ministra da Justiça. O edifício, de quase sete milhões de euros, centraliza várias valências judiciais, mas não eliminará de imediato o uso de instalações provisórias na cidade.

Beja inaugura novo Palácio da Justiça após década de projecto e obra
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Beja assiste hoje à inauguração do seu novo Palácio da Justiça, um equipamento pensado para concentrar num único espaço a maior parte das valências judiciais da comarca. A cerimónia, marcada para as 11:00, conta com a presença do primeiro‑ministro, Luís Montenegro, e da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice.

Uma obra com raiz há dez anos

O projecto que agora se materializa remonta a um protocolo celebrado a 1 de junho de 2016 entre o Ministério da Justiça e a Câmara Municipal de Beja. Foi o município que cedeu gratuitamente o direito de superfície sobre o terreno e assumiu a elaboração dos projectos de arquitectura e especialidades, gesto que desanuviou um processo que vinha condicionando há anos o funcionamento dos serviços judiciais locais.

Ao longo da última década o projecto sofreu alterações e reavaliações orçamentais. Inicialmente estimado em cerca de quatro milhões de euros, acabou por ser reformulado e, em 2021, o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) assumiu a coordenação e o financiamento da obra.

Características do novo edifício e construtor

O novo Palácio da Justiça ocupa uma área de 3.562 metros quadrados, distribuidos por três pisos e duas alas autónomas. A empreitada foi adjudicada à empresa Nova Gente – Empreitadas, S.A., pelo valor de 6.953.700,45 euros.

Item Valor / Informação
Data do protocolo 1 de junho de 2016
Área 3.562 m²
Pisos 3
Estrutura Duas alas autónomas
Valor da adjudicação 6.953.700,45 €

Concentração de serviços, mas com transição faseada

O projecto foi desenhado para acolher, entre outros, o Juízo Cível, o Juízo Local Criminal, o Juízo Central Cível e Criminal, a Secção Central e a secretaria do Ministério Público, procurando responder às limitações de espaço e de funcionalidade que há anos condicionavam a actividade judicial na cidade.

Apesar da inauguração, a mudança para o novo edifício não se traduzirá, numa primeira fase, no abandono total das instalações actualmente utilizadas pelos serviços judiciais.

«não deverão ainda estar reunidas todas as condições para o funcionamento integral das diferentes valências previstas para o novo espaço»
— frase que explica a necessidade de manter temporariamente operações em locais já utilizados, nomeadamente o parque de contentores onde funciona, entre outros serviços, o Tribunal de Família e Menores, assim como o antigo Palácio da Justiça.

  • O Ministério da Justiça recebeu formalmente a obra em maio deste ano.
  • A inauguração realiza‑se quando os serviços estiverem progressivamente instalados no novo edifício.
  • A mudança será faseada, mantendo‑se instalações provisórias até à plena operacionalidade.

Para a população e para os profissionais que diariamente recorrem aos tribunais, a centralização das estruturas pretende reduzir deslocações, melhorar a gestão de processos e criar condições mais dignas de trabalho. No entanto, a transição delicada entre edifícios evidencia, outra vez, a necessidade de coordenar logística, recursos e apoios para que os ganhos prometidos se materializem sem perturbações excessivas dos serviços essenciais.

O novo Palácio da Justiça é, também, o ponto final de um capítulo que mobilizou por anos decisões políticas locais e meios técnicos nacionais. A obra reabre agora um ciclo de expectativas: dos operadores judiciais que aguardam melhores condições de trabalho, às famílias e profissionais que esperam procedimentos mais céleres e organizados num só espaço.

Em Beja, cidade marcada pela memória das suas instituições e pelo ritmo pausado do Alentejo, a inauguração simboliza um investimento concreto na arquitectura do Estado e na capacidade de resposta da Justiça à vida das gentes da região.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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