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Beja acolhe 18.ª edição das Palavras Andarilhas para celebrar a narrativa e a memória

A 18.ª edição do festival Palavras Andarilhas regressa a Beja entre sexta-feira e domingo, com espetáculos de contos, oficinas gratuitas, atividades para famílias, exposições e um mercadinho de livros. A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal e pela Biblioteca Municipal José Saramago, dedica-se este ano ao conto tradicional, memória e tradição.

Beja acolhe 18.ª edição das Palavras Andarilhas para celebrar a narrativa e a memória
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Palco da palavra e da memória

Beja prepara-se para, mais uma vez, ouvir a palavra contada. Entre sexta-feira e domingo, a cidade recebe a 18.ª edição das Palavras Andarilhas, festa dedicada à narração oral que volta a ocupar o Jardim Gago Coutinho e Sacadura Cabral — conhecido popularmente como Jardim Público de Beja — e a Biblioteca Municipal José Saramago.

Organizado pela Câmara Municipal de Beja através da biblioteca municipal, o certame mantém um fio condutor que atravessa décadas de programação: a promoção da leitura, da tradição oral e da memória coletiva. Este ano, a iniciativa tem como tema «O Conto Tradicional: Memória e Tradição», e assinala a maioridade do festival, cuja primeira edição remonta a 1999 e que, desde 2002, passou a realizar‑se com periodicidade bienal.

Programação e acessibilidade

Nos três dias do encontro, a oferta cultural combina espetáculos de contos, oficinas, exposições, atividades dirigidas a famílias e um mercadinho de livros. Entre as novidades apontadas pela organização está a gratuitidade das oficinas — uma medida que pretende alargar o acesso e incentivar a participação de públicos variados, desde crianças a idosos.

  • Espetáculos de contos e narrativas ao vivo;
  • Oficinas gratuitas abertas a diferentes idades;
  • Atividades para pais e filhos e programação familiar;
  • Exposições relacionadas com a tradição e a escrita oral;
  • Mercadinho de livros com venda e troca de títulos.

Antes do arranque oficial do festival, realiza‑se já hoje um «Jantar Narrado», uma iniciativa que pretende antecipar a atmosfera de encontro e partilha. Estarão à mesa contadores como Cristina Taquelim, Jorge Serafim e Luzia do Rosário, que trazem às conversas a arte de contar histórias.

Identidade cultural e expectativas locais

Para a autarquia, o festival é mais do que um programa anual: é um património cultural que tem ajudado a afirmar Beja como ponto de encontro para a narração oral e a leitura. Vítor Picado, o vereador com o pelouro da Cultura, sublinha a importância do evento na construção de uma identidade que liga a cidade à tradição oral e à preservação da memória coletiva.

«As Palavras Andarilhas são claramente um dos grandes patrimónios culturais contemporâneos de Beja», afirmou o responsável, referindo que o festival tem vindo a criar «uma identidade própria e reconhecida».

A aposta em oficinas gratuitas é, nas palavras do vereador, um dos «momentos altos» desta edição e resulta da intenção de atrair «famílias, crianças, jovens, idosos e visitantes que, muitas vezes, não frequentam os equipamentos culturais». A expectativa municipal é que o festival traga a Beja públicos diversos, interessados na partilha de histórias e na experiência coletiva de escutar e contar.

Beja e a tradição oral: continuidade e desafio

Ao longo das suas edições, as Palavras Andarilhas foram consolidando um espaço de encontro entre narradores, leitores e comunidades. No contexto alentejano — onde a paisagem e a memória se entrelaçam — o festival assume um papel de guarda e difusão de contos que circulam nas conversas de aldeia, nas memórias familiares e nas pranchas da oralidade.

Para quem vive em Beja, a iniciativa representa também uma oportunidade de reencontro com práticas de transmissão cultural que resistem ao tempo. A gratuitidade de parte da programação e a diversidade de atividades procuram não apenas aumentar a afluência, mas também convidar novas franjas da população a brincar, aprender e recordar em voz alta.

Ao regressar aos espaços centrais da cidade, as Palavras Andarilhas reiteram o lugar de Beja no mapa cultural nacional: uma cidade que celebra as histórias e, através delas, olha para a sua memória e para as futuras vozes que continuarão a andarilhar pelos caminhos alentejanos.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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