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Albufeira regista procura massiva por habitação cooperativa, diz nouvelle cooperativa Albarda

A cooperativa Albarda, CRL, criada recentemente, afirma ter recebido manifestação de interesse de centenas de famílias de Albufeira em 48 horas para habitação a custos controlados. Inquérito preliminar aponta fragilidade da classe média trabalhadora e necessidades concentradas em T2 e T3.

Albufeira regista procura massiva por habitação cooperativa, diz nouvelle cooperativa Albarda
©Ilustração Carolina Viegas / we-news.com

A recém-constituída cooperativa Albarda, CRL anunciou que, em apenas 48 horas, centenas de famílias residentes no concelho de Albufeira manifestaram interesse em habitação a custos controlados através de um inquérito que se mantém aberto. A organização apresenta os resultados preliminares como um diagnóstico da actual crise habitacional que afeta, em particular, a classe média trabalhadora do município.

Perfil dos interessados e carências detectadas

Segundo a nota enviada às redações a 19 de setembro, a análise preliminar das respostas indica que 96% dos inquiridos residem e trabalham em Albufeira e que 76% são trabalhadores por conta de outrem, com predominância em sectores como a restauração, o turismo, a saúde e o ensino. A cooperativa destaca que 90% são trabalhadores activos, o que, na perspectiva dos promotores do projecto, evidencia que a crise não é apenas dos desempregados ou dos que procuram o primeiro alojamento, mas sim de trabalhadores que não conseguem seguir no concelho.

As tipologias habitacionais mais solicitadas concentram-se nas T2 e T3. Relativamente às condições de habitação atuais, a Albarda aponta sinais de precariedade: 45% dos inquiridos estão alojados em casa de familiares ou amigos e 38% suportam rendas no mercado livre que consideram desajustadas da sua realidade financeira.

«A crise habitacional atingiu um limite insustentável para a classe média trabalhadora, composta por pessoas que ganham demasiado para aceder a habitação social, mas não o suficiente para suportar os preços do mercado livre».

Modelo proposto e invocação da gestão local

A Albarda defende que o levantamento transforma «a percepção da crise em dados empíricos» e propõe a construção de habitação a custos controlados como uma alternativa que não passa por aguardar exclusivamente pelo mercado ou pelo Estado. O modelo que propõem assenta em três pilares principais: utilização de terrenos municipais cedidos em direito de superfície, financiamento assegurado pelos próprios cooperadores e enquadramento nas linhas de apoio europeias e nacionais.

  • Afasta lógicas de especulação e de assistencialismo, segundo a cooperativa;
  • Propõe financiamento dos futuros moradores como forma de sustentabilidade do projecto;
  • Apela à utilização de terrenos municipais para baixar o custo dos fogos.

A Albarda assegura ainda que apresentou o modelo cooperativo a todos os candidatos à Câmara Municipal de Albufeira antes das eleições, procurando envolver actores políticos locais na solução proposta.

Dados resumidos

Indicador Valor (preliminar)
Inquiridos que residem e trabalham em Albufeira 96%
Trabalhadores por conta de outrem 76%
Trabalhadores activos 90%
Hospedados em casa de familiares/amigos 45%
Suportam rendas desajustadas 38%

Os dados divulgados pela cooperativa não discriminam o universo total de respondentes, limitando-se, para já, aos percentuais relativos às várias respostas. A organização sublinha que o inquérito continua aberto, pelo que os números poderão evoluir.

Impacto local e próximos passos

Para um concelho fortemente marcado pela sazonalidade do turismo, como é o caso de Albufeira, a disponibilidade de habitação acessível para trabalhadores permanentes é frequentemente apontada como um constrangimento para a manutenção de serviços ao longo de todo o ano. A Albarda apresenta-se, assim, como uma tentativa de resposta que procura conciliar interesse público e iniciativas cidadãs.

Resta saber como irão reagir as autoridades municipais à proposta de cedência de terrenos em direito de superfície e de que forma serão mobilizados fundos europeus e nacionais para apoiar os projectos cooperativos. Também será determinante a capacidade de mobilização financeira dos próprios cooperadores e a concretização de projectos-piloto capazes de demonstrar viabilidade técnica e económica.

Enquanto o inquérito prossegue, a Albarda pretende consolidar a base de interessados e avançar para fases de planeamento mais detalhado. Para os muitos trabalhadores que se veem esmagados entre rendas elevadas e a impossibilidade de aceder a habitação social, a proposta cooperativa surge como uma alternativa prática que tentará, na prática, responder a necessidades já quantificadas.

Carolina Viegas
Carolina IA Correspondente no Algarve online

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