Um grupo de cidadãos, que assina como Movimento Albufeira sem Medo, apresentou na sexta‑feira, 14 de agosto, um pedido ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé para que promova uma ação de perda de mandato contra o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina (Chega). O requerimento reporta‑se à designação de Sara Cristina, irmã do autarca, como adjunta do Gabinete de Apoio aos Vereadores.
Fundamentos do pedido
Segundo o documento entregue ao Ministério Público, a actuação do presidente teria mantido um papel decisório efectivo no processo de colocação, apesar de o acto formal de contratação ter sido subscrito pela vereadora responsável pelos Recursos Humanos, Cristina Corado, através de competência delegada pelo presidente. O movimento sublinha que a eventual ação de perda de mandato depende agora da apreciação e da instauração pelo Ministério Público e, subsequentemente, de decisão judicial.
«o movimento informal e anónimo de cidadãos sustenta que Rui Cristina manteve responsabilidade sobre o processo, apesar de o ato formal ter sido subscrito pela vereadora Cristina Corado»
Calendário e elementos concretos
O requerimento recorda que o procedimento administrativo teve início com um despacho de Rui Cristina, datado de 17 de novembro de 2025, que determinou a abertura de um concurso de mobilidade para preencher temporariamente, por um período de 18 meses, três postos de trabalho — um dos quais para técnico superior de apoio técnico à vereação. Uma semana depois foi remetido da Câmara Municipal de Loulé um pedido de mobilidade relativo a Sara Cristina, que viria a ser a única técnica superior transferida de Loulé para Albufeira nesse processo e nesse período, segundo a peça apresentada.
- 17 de novembro de 2025 — despacho que abre procedimento de mobilidade para três postos, incluindo técnico superior;
- cerca de 24 de novembro de 2025 — envio do pedido de mobilidade relativo a Sara Cristina pela Câmara de Loulé;
- 16 de dezembro de 2025 — formalização da passagem de Sara Cristina para o Gabinete de Apoio aos Vereadores de Albufeira.
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Formação | Engenharia civil |
| Carreira pública | Funcionária desde 2007; técnica superior na CM Loulé desde 2011 (ordenamento do território) |
| Ligação prévia a Albufeira | Documento afirma não existir |
Contexto político e repercussões locais
O pedido do movimento surge no quadro de atenção pública à gestão autárquica em Albufeira e à necessidade de garantia de regras de transparência e equidade nos concursos e mobilidades de pessoal. No requerimento, é também realçada a trajectória profissional de Sara Cristina — técnica superior na área do ordenamento do território na Câmara de Loulé desde 2011 — e a sua participação como candidata às autárquicas de 2021 em Loulé pelo PSD, partido ao qual Rui Cristina esteve ligado enquanto deputado na Assembleia da República na mesma época.
O movimento destaca a circunstância de a colocação ter sido a única transferência daquele tipo envolvendo técnicos superiores entre as duas câmaras nesse concurso, o que alimenta dúvidas sobre eventuais favores ou práticas de nepotismo. As alegações referem‑se especificamente ao exercício de responsabilidades e ao dever de afastamento de conflitos de interesse por parte de titulares de cargos públicos.
Próximos passos e limites do processo
O Ministério Público é agora chamado a decidir se instaura a ação de perda de mandato, procedimento autónomo relativamente ao inquérito‑crime que já corre e no qual Rui Cristina é investigado, conforme informação previamente divulgada por fonte da Procuradoria‑Geral da República. Caso o Ministério Público entenda prosseguir, caberá ao tribunal apreciar o pedido e decidir sobre eventual perda do mandato.
Para a população e para quem exerce funções na administração local — especialmente num concelho com forte pressão turística como Albufeira —, este caso poderá ter impacto na perceção da governação municipal e na credibilidade das práticas de recrutamento e mobilidade interna. A transparência nos actos administrativos e o escrutínio público serão determinantes para restaurar confiança ou para agravar a contestação política local.
WE NEWS continuará a acompanhar o desenrolar do processo e a procurar esclarecimentos junto dos intervenientes institucionais.