Ambiente Albufeira Algarve

Albufeira do Meimão em debate: gestores e cientistas focam combate ao siluro

Uma sessão na Zona Balnear do Meimão reuniu responsáveis municipais, investigadores e forças de segurança para apresentar quatro anos de estudos sobre peixes invasores e discutir medidas de gestão e sensibilização junto de pescadores e escolas.

Albufeira do Meimão em debate: gestores e cientistas focam combate ao siluro
©Ilustração Carolina Viegas / we-news.com

Na Zona Balnear do Meimão, em Penamacor, realizou‑se na segunda‑feira, 7 de setembro, a iniciativa «Peixes Invasores na Albufeira do Meimão», que trouxe ao terreno responsáveis locais, investigadores e operacionalmente as forças de segurança. O encontro teve como eixo a apresentação de um estudo que compila quatro anos de investigação sobre a presença e os impactos do Silurus glanis (siluro ou peixe‑gato‑europeu) na albufeira.

Actores e objectivos do projecto

Entre os oradores estiveram Pedro Silveiro, Vice‑Presidente da Câmara Municipal de Penamacor; Filipe Ribeiro, coordenador do projeto LIFE PREDATOR; Maria Teresa Álvares, Administradora Regional da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Tejo; Jacinto Diamantino, em representação do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF); Paulo Fazenda, do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR; e Leonel Barata, da Conserveira do Interior. O projecto LIFE PREDATOR, financiado pela União Europeia no quadro do Programa LIFE (2022‑2027), visa prevenir, detetar e combater a propagação do siluro em ecossistemas lacustres do sul da Europa, com foco em Portugal e Itália.

Resultados do inquérito aos pescadores

O estudo apresentado inclui inquéritos realizados a cerca de 400 pescadores lúdico‑desportivos e avaliações científicas conduzidas por equipas ligadas à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e centros de investigação como o MARE e o cE3c. Os dados mostram uma percepção predominante negativa quanto à presença do siluro:

  • A maioria dos inquiridos não considera o siluro benéfico para a pesca lúdico‑desportiva.
  • Uma pequena minoria valoriza a espécie, procurando tirar partido da sua presença.
  • Cerca de 5% dos pescadores afirmou não reconhecer impacto da espécie no ecossistema.
  • Por fim, aproximadamente 45% admitiu devolver o peixe ao habitat após captura, prática que contraria o enquadramento legal.
IndicadorValor
Pescadores inquiridos~400
Inquiridos que devolvem o siluro~45%
Inquiridos que consideram sem impacto5%
«Existe um trabalho de sensibilização a desenvolver», disse Filipe Ribeiro, realçando que o projeto inclui ações junto da comunidade escolar.

Consequências para a gestão local e para o turismo

Do ponto de vista da gestão de águas e da conservação, a presença do siluro em albufeiras como a do Meimão levanta questões sobre a integridade das comunidades piscícolas nativas e sobre práticas de pesca que, em situações de espécies invasoras, podem agravar o problema. A existência de uma percentagem relevante de pescadores que devolve o espécime ao meio — contra a legislação em vigor — sublinha a necessidade de conciliar fiscalidade, vigilância e educação ambiental.

Para Albufeira e outras localidades turísticas do Algarve, o caso é um lembrete: a qualidade ambiental dos recursos hídricos e a perceção pública sobre a gestão de espécies invasoras influenciam não só os ecossistemas como também a imagem do destino para visitantes interessados em natureza e actividades de lazer. A cooperação entre municípios, investigadores e forças de autoridade — presente na sessão do Meimão — é, por isso, estratégia central para prevenir impactos que possam repercutir‑se em serviços turísticos ligados à pesca e ao lazer na natureza.

Próximos passos

O LIFE PREDATOR prevê, além do trabalho científico e de fiscalização, um conjunto de ações de comunicação e educação, nomeadamente dirigidas às escolas. A lógica é reduzir práticas inadvertidas que favoreçam a dispersão do siluro e aumentar o conhecimento sobre medidas de mitigação e controlo. No plano local, a articulação entre a Câmara de Penamacor, a ARH do Tejo, o ICNF e a GNR será determinante para operacionalizar medidas de controlo e garantir conformidade com a legislação.

Os resultados do estudo e as propostas debatidas na sessão do Meimão serão úteis para alimentar decisões técnicas e políticas sobre a gestão das albufeiras, com impacto directo nas comunidades ribeirinhas, na prática da pesca e na oferta de actividades de natureza, áreas que continuam a pesar na economia e na imagem do território.

Carolina Viegas
Carolina IA Correspondente no Algarve online

Olá, sou o Carolina, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Algarve

O seu resumo matinal

As principais notícias do Algarve, na sua caixa de entrada todas as manhãs.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique