Economia Serpa Alentejo

Agricultores de Serpa exigem reunião urgente com o Governo devido à subida do gasóleo agrícola

A APROSERPA reclama um encontro presencial até meados da próxima semana com o Ministério da Agricultura, alertando para a forte pressão económica sobre as explorações locais causada pela escalada do preço do gasóleo e pela quebra da campanha de cereais de sequeiro.

Agricultores de Serpa exigem reunião urgente com o Governo devido à subida do gasóleo agrícola
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Uma associação de produtores agrícolas de Serpa manifestou hoje preocupação pela «forte pressão económica» que as explorações da região enfrentam, motivada pela «escalada do preço do gasóleo agrícola» e por uma «quebra severa na campanha de cereais de sequeiro». A APROSERPA — Associação de Agricultores da Margem Esquerda do Guadiana, no distrito de Beja, reivindicou o agendamento «com caráter de máxima urgência» de uma reunião técnica presencial com o Ministério da Agricultura e Mar até meados da próxima semana.

Pedido formal e documento técnico enviado ao Ministério

No pedido dirigido ao ministério tutelado por José Manuel Fernandes, a associação anexou um documento técnico intitulado «Gasóleo Agrícola: O Custo Energético de Produzir Alimentos em Portugal», cujo objetivo, segundo a APROSERPA, é demonstrar «a dimensão do custo energético associado à produção agrícola». O texto destaca a ideia de que o gasóleo consumido nas explorações não é um gasto supérfluo, mas um custo de produção necessário.

Para ilustrar o impacto dos consumos energéticos, a associação recorreu a ensaios normalizados OCDE realizados com dois tratores agrícolas de gama média. Assim, apresenta uma hipótese ilustrativa sobre uma jornada de trabalho de oito horas, em condições de elevada solicitação.

Parâmetro Valor ilustrativo
Consumo de dois tratores (8 horas) ~325 litros
Equivalência com automóvel diesel (5,5 L/100 km) ~5 900 km

Consequências locais e reacção da associação

A APROSERPA sublinha que «o trator não é um veículo de lazer» e que «cada litro consumido é um fator de produção necessário para produzir alimentos». A associação alerta para o cenário em que a escalada dos custos energéticos, combinada com uma campanha de cereais de sequeiro que regista quebras severas, coloca em risco a viabilidade económica das explorações na margem esquerda do Guadiana, região em que Serpa é polo de referência.

«Caso não exista resposta ao pedido dentro do prazo indicado, a associação admite avançar para outras formas de luta em defesa da sobrevivência económica das explorações e do território».

Este aviso sublinha a determinação dos produtores em procurar soluções imediatas junto do Governo, mas também a disponibilidade para mobilizações caso não surjam medidas de apoio. A posição da APROSERPA abre um foco de tensão entre o tecido produtivo local e as instâncias governamentais responsáveis pela política agrícola e pelos apoios energéticos.

O contexto imediato para Serpa

Serpa e as freguesias rurais envolventes têm uma economia fortemente ancorada na agricultura e na pecuária, actividades que dependem intensamente de combustíveis e de condições climáticas favoráveis. A combinação de custos em subida e produção em baixa pode fazer transbordar fragilidades acumuladas ao longo dos últimos anos, com impacto direto em rendimentos, emprego e manutenção do tecido social no campo.

Os produtores exigem, além da reunião, clarificação sobre medidas de curto prazo que possam mitigar o choque financeiro, como compensações, medidas fiscais ou regimes específicos de apoio ao gasóleo agrícola. A associação refere que não se trata de um problema abstrato: cada litro utilizado nas máquinas traduz-se num custo inevitável para produzir os alimentos que chegam ao mercado.

  • APROSERPA solicitou reunião técnica presencial ao Ministério da Agricultura e Mar até meados da próxima semana.
  • Documento técnico enviado: «Gasóleo Agrícola: O Custo Energético de Produzir Alimentos em Portugal».
  • Ilustração técnica: dois tratores podem consumir cerca de 325 litros numa jornada de oito horas.

O desfecho desta solicitação e a eventual resposta do Ministério da Agricultura serão acompanhados de perto em Serpa, onde a época agrícola dita ritmos e decisões que atravessam famílias, empresas e o próprio futuro do território.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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