A Zona Norte de Sorocaba enfrenta mais um episódio de degradação de bens públicos com reflexos na memória urbana e no cotidiano dos moradores. A Praça Bruno Abreu Tigani, que abriga réplica do Pelourinho e tem valor histórico para o bairro, está com mato alto, lixo espalhado e sinal claro de abandono. O monumento apresenta pichações e teve a placa de identificação arrancada, segundo relatos de quem vive na região.
Estado atual do espaço e reação da comunidade
Além da praça, chama atenção o estado do imóvel que abrigou a Escola Estadual Salvador Ortega Fernandes, fechada desde 2019. O prédio, conforme moradores, ostenta pichações, pisos quebrados, falta de telhado e outras marcas de deterioração. Há registros de madeira e ferragens subtraídas, e partes da edificação já apresentam risco de desabamento.
“Escola que eu estudei, meus primos, minhas tias, minha mãe e várias pessoas do bairro foi abandonada. Roubaram o telhado, as madeiras e os ferros. Está caindo aos pedaços. A gente já falou com a Prefeitura de Sorocaba, que empurra para o Estado, que empurra para a Prefeitura, e fica nesse jogo”.
O morador que falou com a imprensa reside na região há cerca de 40 anos e descreve frustração com a sequência de não respostas. A comunidade propõe alternativas de uso para os espaços: a instalação de uma creche ou a transformação do terreno em parque infantil foram citadas entre as demandas locais.
Posicionamentos oficiais e divisão de responsabilidades
A Prefeitura de Sorocaba respondeu por meio da Secretaria de Serviços Públicos e Obras (Serpo), informando que enviará uma equipe para realizar vistoria técnica na praça e incluir a manutenção do monumento na programação de serviços da pasta. A Secretaria de Cultura (Secult) declarou que a placa de identificação do Pelourinho será reposta.
Quanto ao imóvel da antiga escola, a administração municipal reafirmou que a responsabilidade pela conservação é do Governo do Estado. A Unidade Regional de Ensino de Sorocaba afirmou que a escola manteve atividades pedagógicas até 2019 e que o fechamento se deu por falta de demanda de alunos no bairro.
Consequências locais e próximos passos
A situação descrita concentra problemas comuns à gestão de patrimônios e a edificações públicas ociosas: vandalismo, subtração de materiais e aumento do risco à segurança, além da perda de equipamentos que poderiam servir à comunidade. Moradores destacam que a ausência de uma estratégia de reaproveitamento amplia a sensação de abandono e reduz a qualidade de espaços de convívio urbano.
- Praça Bruno Abreu Tigani: mato alto, lixo, monumento pichado, placa de identificação removida.
- Escola Salvador Ortega Fernandes: fechada desde 2019; pichação, falta de telhado, pisos quebrados e materiais subtraídos.
- Demandas da comunidade: implantação de creche ou parque infantil, reposição de placa e manutenção do monumento.
- Resposta institucional: Serpo fará vistoria; Secult reporá a placa; conservação do prédio escolar é atribuída ao Estado.
O impasse entre esferas de governo — municipal e estadual — é central para a resolução do caso. Sem um encaminhamento conjunto e prazos claros, equipamentos públicos como a praça e o prédio escolar tendem a permanecer inutilizados, com impacto direto sobre a mobilidade, segurança e oferta de serviços para famílias do entorno.
| Local | Problema apontado | Responsável (segundo órgãos) |
|---|---|---|
| Praça Bruno Abreu Tigani | Mato alto, lixo, pichação, placa retirada | Prefeitura (Serpo/ Secult) — manutenção e reposição de placa |
| Antiga Escola Salvador Ortega Fernandes | Fechada desde 2019, deterioração, falta de telhado | Governo do Estado (Unidade Regional de Ensino de Sorocaba) |
Para os moradores, a reposição da placa do monumento é um gesto simbólico, mas insuficiente diante da urgência de recuperação estrutural e de uma proposta de ocupação socialmente útil. A expectativa é que a vistoria anunciada pela Serpo resulte em um cronograma de intervenções e que o Estado esclareça as medidas para o imóvel escolar.
Neste cenário, a articulação entre Prefeitura e Governo do Estado será determinante para transformar a manifestação de interesse dos moradores em ações concretas. Enquanto isso, a praça e o prédio histórico seguem como sinais visíveis da tensão entre preservação do patrimônio, oferta de serviços públicos e manutenção urbana em Sorocaba.