Operação Criptoabate prende suspeito no Santos Dumont
A Polícia Civil, com apoio da Polícia Federal, prendeu no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro, um dos principais investigados em esquema de falsos investimentos que teria levado uma mulher de 70 anos a perder R$ 37 milhões. A ação faz parte da Operação Criptoabate, deflagrada para combater estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro.
Além do detido no Rio, a polícia confirmou que outros dois suspeitos foram presos em desdobramentos da operação — um em São Paulo e outro no Rio Grande do Sul — e que sete investigados seguem foragidos. Autoridades envolvidas informaram que foram identificadas cerca de 140 possíveis vítimas espalhadas pelo país.
“Nós identificamos que ele tinha uma passagem comprada para voltar do Rio de Janeiro para Santa Catarina no dia de hoje. Nós fizemos contato com a Polícia Federal, que então, no momento do embarque, executou a prisão dele”,
a declaração do delegado Eibert Moreira, citada pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Movimentações financeiras e alvo da apuração
Segundo o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), informações da investigação apontam movimentações financeiras de grande monta vinculadas aos investigados. Em uma conta ligada ao CPF de um dos presos foram identificados movimentos de R$ 77 milhões. Em outros pontos da apuração, a polícia reportou:
- uma instituição financeira investigada com movimentação de R$ 295 milhões em um único dia;
- uma empresa em São Paulo com movimentação atípica de R$ 500 milhões no período apurado;
- transações suspeitas que, no acumulado informado pela Polícia Civil, chegam a aproximadamente R$ 30 bilhões.
As autoridades classificaram o esquema como variante do golpe conhecido internacionalmente como “pig butchering” (também chamado de “golpe do abate de porcos”), modalidade de fraude originada no Sudeste Asiático e que tem se espalhado pelo mundo. No esquema, vítimas são aliciadas por contatos que ganham confiança e induzem a aplicações em promessas de lucros elevados.
Perfil das vítimas e atuação dos investigados
Entre as vítimas identificadas está uma idosa de 70 anos que teria aplicado uma herança em falsas oportunidades de investimento e perdido todo o patrimônio declarado. A investigação aponta que os investigados se passavam por funcionários de uma instituição identificada nas apurações como TDASX, organização que, conforme a polícia, encerrou atividades após o início das investigações.
A polícia também informou que o homem detido no Rio de Janeiro é proprietário de uma das instituições financeiras apontadas nas apurações e que reside em Balneário Camboriú (SC). Sua prisão no Santos Dumont foi executada no momento em que ele se preparava para embarcar em voo com destino a Santa Catarina.
| Item | Quantidade/Local |
|---|---|
| Prisões confirmadas | 3 (Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul) |
| Investigados foragidos | 7 |
| Possíveis vítimas identificadas | 140 |
Próximos passos da investigação
A Delegacia responsável e o DERCC seguem com diligências para localizar os investigados foragidos e rastrear o fluxo financeiro associado ao esquema. A participação da Polícia Federal na prisão do suspeito no Santos Dumont evidencia a cooperação interestadual nas ações contra crimes cibernéticos que envolvem movimentações transversais entre estados.
As autoridades ressaltaram que as informações fornecidas à Justiça Eleitoral ou instituições financeiras devem ser sempre verificadas e recomendam cautela a cidadãos que recebem propostas de investimentos por meio de contatos na internet ou aplicativos de mensagem. A orientação oficial é que potenciais vítimas denunciem ao Ministério Público, às polícias civil ou federal e aos órgãos de proteção financeira assim que identificarem indícios de fraude.
O WE NEWS acompanha o desenrolar da operação e vai divulgar novas informações à medida que a investigação avance e que as autoridades confirmem diligências e prisões adicionais.