A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta quarta-feira, mandados relacionados a uma operação interestadual que investigou a produção e o comércio ilegal de anabolizantes. Em João Pessoa, agentes localizaram e prenderam um homem apontado como integrante da organização criminosa e efetuaram buscas em imóveis usados como pólos de produção na Paraíba.
Alcance da operação e alvos
A ação foi deflagrada com desdobramentos no Distrito Federal e em ao menos cinco outros estados — Goiás, Paraíba, Paraná, Acre e Minas Gerais —, segundo informou a corporação. No total, a investigação resultou no cumprimento de dezenas de medidas cautelares e bloqueios financeiros.
| Medidas e apreensões | Quantidade |
|---|---|
| Mandados de prisão | 45 |
| Mandados de busca e apreensão | 50 |
| Bloqueio judicial de recursos | R$ 32 milhões |
| Veículos de luxo a serem apreendidos | 11 |
| Estabelecimentos fechados | 13 |
| Perfis removidos de redes sociais | 22 |
Estrutura e modus operandi identificado na Paraíba
Na investigação local, os policiais apontaram que a organização mantinha uma filial na Paraíba, montada em dois imóveis de padrão elevado: uma mansão alugada e uma residência de alto padrão à beira-mar. De acordo com os agentes, a filial contava com apoio de familiares e de uma parceira local para o recebimento de insumos importados por correio.
Os laudos e depoimentos apurados pela Polícia Civil indicam que os anabolizantes eram produzidos de forma artesanal, a partir de formulações que incluíam substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes em qualidade considerada precária pelas autoridades. Para dar uma aparência de legitimidade, os suspeitos rotulavam os produtos em línguas estrangeiras e utilizavam bandeiras de outros países.
Conluio de profissionais para burlar controles
Durante o curso das investigações, foi identificado o envolvimento de profissionais que teriam facilitado o acesso a medicamentos controlados. Médicos veterinários, conforme informado pela Polícia Civil, teriam cooperado emitindo receitas falsificadas para a aquisição desses insumos em estabelecimentos agropecuários. O esquema também contaria com recomendações de nutricionistas e treinadores, que orientavam o uso das substâncias para consumidores.
Detenção e medidas locais
O homem preso em João Pessoa foi encaminhado à carceragem da Cidade da Polícia Civil e permanece à disposição do Poder Judiciário. Na Paraíba, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão além do mandado de prisão ligado à operação.
- Operação concentrou ações coordenadas entre estados e envolveu investigação sobre produção caseira e distribuição em redes sociais.
- Autoridades apontam para uso de receitas falsas e rotulagem estrangeira como estratégia de aparência comercial.
- Bloqueios e apreensões têm caráter cautelar enquanto prosseguem as apurações sobre participação de cada investigado.
Impactos e perguntas em aberto
A operação levanta questões sobre os riscos à saúde pública decorrentes do consumo de produtos fabricados sem controles sanitários, assim como sobre a atuação de profissionais que podem facilitar a cadeia ilegal. Além disso, a descoberta de um laboratório em imóvel de alto padrão chama atenção para a sofisticação logística e financeira de organizações que atuam no mercado ilícito de medicamentos e suplementos.
As autoridades responsáveis pela investigação devem detalhar, nas próximas fases do processo, a extensão das práticas identificadas, a origem dos insumos importados e o papel de cada pessoa indicada como envolvida. O bloqueio de R$ 32 milhões e a apreensão de veículos de luxo sinalizam esforço para debilitar a estrutura financeira do grupo enquanto as medidas judiciais prosseguem.
A reportagem aguarda posicionamento das defesas dos investigados e por mais detalhes sobre os procedimentos adotados pela Vigilância Sanitária e Ministério Público no acompanhamento dos desdobramentos locais.