A Polícia Civil da Paraíba informou nesta sexta-feira que identificou e prendeu envolvidos em um furto de armas ocorrido em uma fazenda no município de Capim. Entre os detidos está o homem que afirmou ter matado 80 pessoas, identificado como Jorlan Lopes da Silva, cuja fuga terminou na cidade de Mulungu.
Apuração e prisões
Segundo a corporação, as armas tinham sido guardadas pelo proprietário da fazenda dentro de um baú enterrado na propriedade e foram subtraídas em 7 de setembro. O registro do crime foi feito na Central de Polícia Civil de Mamanguape e, a partir das investigações, os policiais identificaram participantes do roubo e localizaram parte do armamento.
Além de Jorlan, a polícia prendeu um trabalhador rural que prestava serviços ao dono da fazenda e é apontado por ter indicado a existência e a localização dos armamentos aos autores do furto. Esse trabalhador também respondia a um mandado de prisão em aberto por homicídio. Ao menos dois outros envolvidos já foram identificados.
Armas apreendidas
Foram apreendidos, conforme a Polícia Civil:
- Três rifles calibre .44 Winchester;
- Uma espingarda calibre 12;
- Uma arma de pressão por ação de mola.
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Rifles .44 Winchester | 3 |
| Espingarda calibre 12 | 1 |
| Arma de pressão | 1 |
Medidas legais
Um dos homens detidos, de 45 anos, foi autuado por receptação e por infrações previstas no Estatuto do Desarmamento. A Polícia Civil informou que prosseguem as diligências para localizar e responsabilizar os demais envolvidos no furto.
O caso ganhou repercussão pela declaração atribuída a Jorlan, que disse ter matado 80 pessoas. A corporação não detalhou, até o momento, se já há processos formais em curso que confirmem a autoria desses crimes ou se há outros mandados de prisão ligados às afirmações do suspeito.
Contexto histórico e segurança pública
As armas apreendidas, segundo a Polícia Civil, teriam sido utilizadas por grupos conhecidos como volantes — forças de caráter local que atuaram historicamente no combate a bandos de cangaço liderados por Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião". A identificação de armamento com ligação a episódios históricos ressalta a necessidade de controle sobre coleções privadas e o risco de circulação de armas antigas que ainda são operacionais.
Para as autoridades, roubos de armamento armazenado em propriedades rurais representam vulnerabilidade no interior do estado, uma vez que há registros frequentes de furtos em áreas remotas e dificuldades logísticas para vigilância permanente. Especialistas em segurança e policiais ouvidos em casos semelhantes costumam recomendar medidas como registro adequado das armas, guarda em cofres certificados e comunicação imediata às autoridades quando há intenção de venda ou transferência.
Próximos passos
A Polícia Civil da Paraíba informou que continuará as investigações para esclarecer a autoria e participação de cada suspeito no furto e em eventuais crimes conexos. Também serão verificadas as circunstâncias em que as armas foram empregadas no passado e se há registros que permitam relacioná-las a ocorrências específicas do período do cangaço.
A corporação não divulgou, até a publicação desta reportagem, detalhes sobre a situação processual de Jorlan em relação às declarações sobre homicídios nem se há condenações prévias que corroborem o número de vítimas alegado pelo suspeito.