Uma operação coordenada pela Polícia Federal no âmbito do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras) resultou, na terça-feira (18), na apreensão de aproximadamente 217 toneladas de fertilizantes adulterados em Mato Grosso. A ação, denominada Safra Paralela, foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (FICCO/MT) com apoio do Comando Regional da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal.
Localização e execução da operação
As medidas de fiscalização ocorreram em estabelecimentos ligados à comercialização e armazenamento de insumos agrícolas em Primavera do Leste e em pontos de atuação da Polícia Rodoviária Federal em Rondonópolis. Durante a ação foram constatadas falhas formais, entre elas a ausência de registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), irregularidades na rotulagem e na rastreabilidade dos produtos e indícios de manipulação com componentes não autorizados.
Destino das amostras e avaliação econômica
As amostras coletadas foram encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), do Mapa, para análises laboratoriais que irão confirmar a composição dos lotes e o grau de adulteração. Os produtos apreendidos receberam avaliação preliminar de aproximadamente R$ 645 mil.
Investigação e suspeitas
A investigação apura a existência de um mercado clandestino de insumos, o que motivou a escolha do nome da operação: Safra Paralela — referência à suspeita de que a adulteração estaria associada à subtração ou desvio de grãos e ao tráfico paralelo de insumos. Entre os possíveis crimes sob apuração estão:
- organização criminosa;
- furto qualificado;
- receptação;
- estelionato.
Riscos para a produção e segurança fitossanitária
Fertilizantes adulterados representam riscos imediatos à eficiência da adubação, à produtividade das lavouras e à qualidade do solo. Produtos com formulação indevida podem ocasionar deficiência de nutrientes, toxicidade para plantas ou contaminação por elementos não declarados. Além do impacto agronômico, há potencial risco ambiental e econômico, especialmente para produtores que compram insumos sem garantia de procedência.
Repercussão na cadeia de fornecimento
A apreensão destaca fragilidades na rastreabilidade e na fiscalização da comercialização de fertilizantes, pontos críticos para um estado com forte vocação agrícola como Mato Grosso. Empresas e cooperativas que atuam na revenda de insumos devem intensificar práticas de due diligence sobre fornecedores, enquanto produtores são aconselhados a exigir nota fiscal, certificado de análise e a comprar apenas de canais registrados.
Dados da operação
| Item | Informação |
|---|---|
| Operação | Safra Paralela (Ronda Agro CXLVI) |
| Volume apreendido | 217 toneladas |
| Valor estimado | R$ 645 mil |
| Laboratório | LFDA (Mapa) |
| Órgãos envolvidos | FICCO/MT, PF, PRF, Polícia Militar, Mapa |
Orientações práticas para produtores
Especialistas em defesa agropecuária recomendam medidas simples que ajudam a reduzir riscos:
- exigir nota fiscal e verificar o registro do estabelecimento no Mapa;
- conservar amostras de lotes recebidos para eventual análise;
- solicitar certificado de análise dos fertilizantes;
- priorizar compras por meio de cooperativas e distribuidores com histórico verificado.
A Polícia Federal e o Ministério da Agricultura continuam a investigação para identificar toda a cadeia de comercialização envolvida. Conforme comunicado oficial do Mapa, a Operação Safra Paralela integra a Ronda Agro CXLVI e busca reforçar a vigilância sobre insumos agrícolas nas fronteiras e nos pontos de comercialização no estado, protegendo o produtor e a integridade da produção nacional.