O Jardim Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, será palco entre 1º e 6 de setembro da segunda edição do PERIFERICU — Festival Internacional de Cinema e Cultura da Quebrada. Viabilizado com patrocínio da Vale por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o evento reúne exibições cinematográficas, mesas de debate, homenagens e apresentações musicais com foco nas expressões das periferias.
Programa e ocupação do território
Nos quatro primeiros dias, a programação se concentra em escolas públicas da região e na Associação Bloco do Beco, ampliando interlocução com moradores e comunidades escolares. Já no fim de semana — dias 5 e 6 de setembro — o festival toma as ruas do bairro: sessões de cinema, shows, performances, discotecagens e uma competição de ballroom compõem a ocupação urbana.
Além das exibições e apresentações artísticas, o PERIFERICU aposta em atividades que articulam memória e práticas culturais: caminhada histórico-fotográfica pelo bairro, roda de samba, noites dedicadas ao funk e ao reggae, maracatu e uma sessão de slam.
Cinema, competição e representatividade
O centro da programação são as mostras competitivas de curtas-metragens, cujas sessões são seguidas por debates entre realizadores e público. Os filmes selecionados têm autoria exclusiva de coletivos e autoras/es TLGB+ oriundos das periferias do Brasil e da América Latina, reforçando a proposta do festival de valorizar vozes marginalizadas pelo circuito tradicional.
- Exibições públicas ocupando praças e ruas no fim de semana;
- Atividades em escolas nos primeiros dias, com oficinas e mostras educativas;
- Debates sobre criminalização do funk e da cultura periférica;
- Desafio Cine-Corre, com produção de curtas de até três minutos em 100 horas;
- Transmissões de parte da programação na plataforma Todesplay.
O festival também inova com o Desafio Cine-Corre, que propõe a elaboração de um curta de até três minutos em um prazo de 100 horas a partir de um tema e de um elemento pré-determinados, estimulando produção rápida e colaborativa.
Homenagens e prêmios
Nesta edição, o PERIFERICU presta tributo a nomes que dialogam com a cultura popular e periférica. Os homenageados dão nome a cinco prêmios especiais entregues aos filmes participantes: Linn da Quebrada, Neon Cunha, Dona Madalena, Léo Moreira de Sá e Seu Escurinho.
| Prêmio | Designação |
|---|---|
| Melhor Filme Comunitário pelo Júri | Homenageado (um dos cinco nomes) |
| Filme Mais Revolucionário | Homenageado |
| Melhor Filme pelo Público | Homenageado |
| Melhor Roteiro | Homenageado |
| Melhor Filme da Mostra Escolar | Homenageado |
Além desses prêmios, a programação inclui o Prêmio Aquisição Todesplay e o Prêmio Sinny, que oferece consultoria de comunicação para um talento jovem premiado no festival. Parte dos filmes selecionados poderá ser vista gratuitamente na plataforma Todesplay durante a semana do evento, ampliando o alcance das produções exibidas presencialmente.
Organização, trajetória e contexto
O PERIFERICU é promovido pela produtora Maloka Filmes, coletivo audiovisual TLGB+ formado por Nay Mendl, Rosa Caldeira e Well Amorim. A iniciativa retorna às ruas paulistanas mais de quatro anos após sua edição inaugural, que teve nomes como BADSISTA, Irmãs de Pau, Chavoso da USP, Aretha Sadick e a Crash Party no cartaz.
A inclusão de uma mesa de debate sobre a criminalização do funk e da cultura periférica coloca a edição de 2026 em diálogo direto com tensões socioculturais e políticas públicas que afetam manifestações artísticas de territórios periféricos. Ao integrar mostras competitivas, ações educativas e ocupação dos espaços urbanos, o festival busca articular exibição, formação e ativismo cultural.
Com a combinação de programação presencial em escolas e ruas, exibições online e prêmios que contemplam desde o roteiro escolar até a aquisição por plataformas de streaming, o PERIFERICU 2026 firma-se como iniciativa que pretende fomentar circuitos alternativos de produção audiovisual e fortalecer redes comunitárias de criação.
Realizado com recursos da Lei Rouanet e apoio da Vale, o festival tem potencial para expandir a visibilidade de realizadores TLGB+ e reforçar debates sobre direitos culturais em espaços periféricos de grande densidade urbana.