Cultura

PERIFERICU 2026 ocupa Jardim Ibirapuera com cinema, música e debate sobre cultura periférica

A segunda edição do PERIFERICU — Festival Internacional de Cinema e Cultura da Quebrada acontece de 1º a 6 de setembro no Jardim Ibirapuera, em São Paulo, combinando exibições de curtas TLGB+, shows, oficinas e debates sobre criminalização do funk e outras expressões periféricas.

PERIFERICU 2026 ocupa Jardim Ibirapuera com cinema, música e debate sobre cultura periférica
©Ilustração IA Helena Bianchi Rocha / we-news.com

O Jardim Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, será palco entre 1º e 6 de setembro da segunda edição do PERIFERICU — Festival Internacional de Cinema e Cultura da Quebrada. Viabilizado com patrocínio da Vale por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o evento reúne exibições cinematográficas, mesas de debate, homenagens e apresentações musicais com foco nas expressões das periferias.

Programa e ocupação do território

Nos quatro primeiros dias, a programação se concentra em escolas públicas da região e na Associação Bloco do Beco, ampliando interlocução com moradores e comunidades escolares. Já no fim de semana — dias 5 e 6 de setembro — o festival toma as ruas do bairro: sessões de cinema, shows, performances, discotecagens e uma competição de ballroom compõem a ocupação urbana.

Além das exibições e apresentações artísticas, o PERIFERICU aposta em atividades que articulam memória e práticas culturais: caminhada histórico-fotográfica pelo bairro, roda de samba, noites dedicadas ao funk e ao reggae, maracatu e uma sessão de slam.

Cinema, competição e representatividade

O centro da programação são as mostras competitivas de curtas-metragens, cujas sessões são seguidas por debates entre realizadores e público. Os filmes selecionados têm autoria exclusiva de coletivos e autoras/es TLGB+ oriundos das periferias do Brasil e da América Latina, reforçando a proposta do festival de valorizar vozes marginalizadas pelo circuito tradicional.

  • Exibições públicas ocupando praças e ruas no fim de semana;
  • Atividades em escolas nos primeiros dias, com oficinas e mostras educativas;
  • Debates sobre criminalização do funk e da cultura periférica;
  • Desafio Cine-Corre, com produção de curtas de até três minutos em 100 horas;
  • Transmissões de parte da programação na plataforma Todesplay.

O festival também inova com o Desafio Cine-Corre, que propõe a elaboração de um curta de até três minutos em um prazo de 100 horas a partir de um tema e de um elemento pré-determinados, estimulando produção rápida e colaborativa.

Homenagens e prêmios

Nesta edição, o PERIFERICU presta tributo a nomes que dialogam com a cultura popular e periférica. Os homenageados dão nome a cinco prêmios especiais entregues aos filmes participantes: Linn da Quebrada, Neon Cunha, Dona Madalena, Léo Moreira de Sá e Seu Escurinho.

Prêmio Designação
Melhor Filme Comunitário pelo Júri Homenageado (um dos cinco nomes)
Filme Mais Revolucionário Homenageado
Melhor Filme pelo Público Homenageado
Melhor Roteiro Homenageado
Melhor Filme da Mostra Escolar Homenageado

Além desses prêmios, a programação inclui o Prêmio Aquisição Todesplay e o Prêmio Sinny, que oferece consultoria de comunicação para um talento jovem premiado no festival. Parte dos filmes selecionados poderá ser vista gratuitamente na plataforma Todesplay durante a semana do evento, ampliando o alcance das produções exibidas presencialmente.

Organização, trajetória e contexto

O PERIFERICU é promovido pela produtora Maloka Filmes, coletivo audiovisual TLGB+ formado por Nay Mendl, Rosa Caldeira e Well Amorim. A iniciativa retorna às ruas paulistanas mais de quatro anos após sua edição inaugural, que teve nomes como BADSISTA, Irmãs de Pau, Chavoso da USP, Aretha Sadick e a Crash Party no cartaz.

A inclusão de uma mesa de debate sobre a criminalização do funk e da cultura periférica coloca a edição de 2026 em diálogo direto com tensões socioculturais e políticas públicas que afetam manifestações artísticas de territórios periféricos. Ao integrar mostras competitivas, ações educativas e ocupação dos espaços urbanos, o festival busca articular exibição, formação e ativismo cultural.

Com a combinação de programação presencial em escolas e ruas, exibições online e prêmios que contemplam desde o roteiro escolar até a aquisição por plataformas de streaming, o PERIFERICU 2026 firma-se como iniciativa que pretende fomentar circuitos alternativos de produção audiovisual e fortalecer redes comunitárias de criação.

Realizado com recursos da Lei Rouanet e apoio da Vale, o festival tem potencial para expandir a visibilidade de realizadores TLGB+ e reforçar debates sobre direitos culturais em espaços periféricos de grande densidade urbana.

Helena Bianchi Rocha
Helena IA Editora de Cultura online

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