A Spcine, empresa de audiovisual vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, realiza no domingo (16/08) uma programação especial para encerrar o Festival do Patrimônio Histórico. As exibições, gratuitas, acontecerão em três equipamentos públicos da cidade: Biblioteca Roberto Santos, CC Cine Olido e Centro Cultural São Paulo (Sala Paulo Emílio).
Prioridade à memória e ao registro audiovisual
A seleção foca em produções que dialogam diretamente com a temática do festival, "Cada Olhar, uma História": documentários e longas que recuperam depoimentos, trajetórias de resistência e narrativas sobre ocupação e moradia no centro da capital. Entre os destaques, está o projeto História Oral em Tela, originado a partir de produções do Museu da Cidade de São Paulo, que traz títulos que tratam da experiência negra na cidade e da história da periferia.
Ao reunir obras que exploram territorialidade, memórias coletivas e dinâmicas urbanas, a iniciativa reafirma a proposta da Spcine de democratizar o acesso ao cinema, formar público e reconhecer o audiovisual como elemento de patrimônio cultural.
Programação e locais
A mostra ocupa diferentes salas e horários ao longo do dia, articulando documentários do acervo do Museu da Cidade com longas que investigam habitação e ocupações no centro de São Paulo.
- Biblioteca Roberto Santos: sessões às 14h, 16h e 18h.
- CC Cine Olido: parte da programação no centro, integrada às celebrações.
- Centro Cultural São Paulo (Sala Paulo Emílio): exibições e debates que conectam obra e memória urbana.
| Horário | Filme / Documento | Direção |
|---|---|---|
| 14h | Cine Marrocos (2021) | Ricardo Calil |
| 16h | Diz a Ela que Me Viu Chorar (2019) | Maíra Bühler |
| 18h | História Oral em Tela – documentários do Museu da Cidade | Rodrigo Portella; Márcia Mansur e Marina Thomé |
Na programação da Biblioteca Roberto Santos, Cine Marrocos (2021), documentário de Ricardo Calil, retrata a ocupação de um antigo cinema por sem-teto, refugiados africanos e imigrantes latino-americanos que transformaram o espaço em experiência artística e coletiva. Em seguida, às 16h, será exibido Diz a Ela que Me Viu Chorar (2019), de Maíra Bühler, que aborda a vida de moradores de um hotel no centro de São Paulo, relacionando vulnerabilidade social, uso de crack e políticas públicas de redução de danos.
O projeto História Oral em Tela apresenta dois documentários produzidos pelo Museu da Cidade: Estou aqui: vidas negras na cidade de São Paulo, dirigido por Rodrigo Portella, e Perus ontem e hoje: a periferia é o centro, de Márcia Mansur e Marina Thomé. Essas obras valorizam depoimentos e registros que iluminam trajetórias de resistência negra e disputas pela territorialidade.
Consequências para o circuito cultural
Ao integrar a programação do Festival do Patrimônio, a ação da Spcine reúne três frentes essenciais: preservação da memória, visibilidade a histórias marginalizadas e promoção do acesso público ao audiovisual. Para além da exibição, a curadoria desses títulos torna visível como o cinema pode funcionar como documento e instrumento de políticas culturais, oferecendo contrapontos às narrativas oficiais sobre a cidade.
Esses eventos também alimentam a formação de plateias e o debate público sobre preservação do patrimônio imaterial e edificado. Em contextos de escassez de recursos para cultura pública, iniciativas que ocupam equipamentos municipais com entrada franca têm papel duplo: ampliam recepção e praticam um modelo de divulgação que dificilmente seria reproduzido em circuitos comerciais.
O encerramento do festival com filmes que discutem ocupação, moradia e memórias urbanas aponta para uma agenda cultural que vincula estética e cidadania. É uma oportunidade para que diferentes públicos — moradores, pesquisadores, estudantes e profissionais do audiovisual — encontrem nas telas narrativas que ajudam a mapear e compreender as transformações de São Paulo.
As exibições são gratuitas; a Spcine recomenda consultar horários e eventuais atividades paralelas nos pontos de exibição.