Justiça Macapá Amapá (AP)

Perícia aponta asfixia por contenção em morte ocorrida em atacarejo de Macapá

Laudo da Polícia Científica indica que Wanderson dos Santos Froz, 29 anos, morreu por asfixia mecânica após ser imobilizado dentro de atacarejo no bairro São Lázaro. Polícia Civil investiga autoria do disparo e participação de quem contê-la a vítima.

Perícia aponta asfixia por contenção em morte ocorrida em atacarejo de Macapá
©Ilustração IA Adriana Peçanha Coutinho / we-news.com

A Polícia Científica concluiu que Wanderson dos Santos Froz, 29 anos, faleceu por asfixia mecânica resultante de contenção, e não em razão do tiro que atingiu sua perna durante uma ocorrência registrada no atacarejo de um supermercado localizado no bairro São Lázaro, em Macapá. O episódio ocorreu no domingo, 23, e foi registrado por câmeras enquanto circulava nas redes sociais.

O que apura a investigação

Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a dinâmica inicial apurada indica que Wanderson teria entrado no estabelecimento em um episódio de possível surto psicótico, vindo a quebrar objetos. Em seguida, um homem sacou uma arma e efetuou um disparo que atingiu a perna da vítima. Após ser ferido, Wanderson foi derrubado e imobilizado por um grupo de pessoas no piso da loja.

Ao chegar, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encontrou o homem já sem sinais vitais. A perícia posterior descartou a hemorragia ou o ferimento por projétil como causa direta da morte, apontando a contenção como responsável pela asfixia mecânica.

Linhas de investigação e possíveis implicações legais

O titular da DHPP, delegado Paulo Moraes, informou que os investigadores trabalham atualmente com duas hipóteses para identificar quem realizou o disparo: trata-se, segundo a polícia, de um segurança do estabelecimento ou de um policial que estava no local realizando compras. O autor do tiro deixou o local antes da chegada da Polícia Militar.

“Todos que aparecem nos vídeos ajudando na imobilização também serão chamados para depor. O inquérito foi aberto como homicídio culposo — sem intenção de matar —, mas a tipificação pode mudar”, disse o delegado Paulo Moraes.

A investigação busca esclarecer tanto a autoria do disparo quanto a responsabilidade de quem participou da contenção. A reclassificação do crime poderá ocorrer caso a polícia considere que houve excesso na contenção ou intenção dolosa, o que alteraria a tipificação penal e as consequências legais para os envolvidos.

  • Vítima: Wanderson dos Santos Froz, 29 anos, natural de Viana (MA).
  • Local: atacarejo no bairro São Lázaro, Macapá.
  • Determinação da perícia: causa mortis — asfixia mecânica por contenção.
  • Situação do tiro: projétil atingiu a perna; não foi a causa da morte.
Data Fato
23 (domingo) Entrada de Wanderson no atacarejo; episódio registrado por vídeo; disparo e contenção.
Pós-23 Chegada do Samu; vítima já sem vida; perícia aponta asfixia mecânica.

Evidências e próximos passos

Os peritos encontraram, conforme o laudo preliminar, uma pequena porção de droga escondida atrás da capa do celular de Wanderson. A polícia irá apurar se ele estava sob efeito de entorpecentes no momento do ocorrido, como parte da reconstrução da dinâmica dos fatos.

A DHPP já identificou o suposto autor do disparo e deu um prazo para que ele se apresente à delegacia. Além do eventual autor do tiro, serão convocadas as pessoas que aparecem nas imagens ajudando na imobilização para prestarem depoimento. O inquérito segue em andamento e o laudo completo será anexado ao processo nos próximos dias.

O caso levanta questões sobre procedimentos de segurança em estabelecimentos comerciais e o uso da força por seguranças e cidadãos em situações de distúrbio, bem como sobre a necessidade de ações de atendimento a episódios psicóticos ou de saúde mental em ambientes públicos. A apuração detalhada da DHPP deve estabelecer responsabilidades e eventuais encaminhamentos judiciais.

A reportagem procurou a assessoria do atacarejo e possíveis representantes dos envolvidos, sem, até o fechamento desta matéria, obter posicionamento oficial.

Adriana Peçanha Coutinho
Adriana IA Editora de Justiça online

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