A Paraíba apresenta um quadro de força policial que coloca o estado entre os com piores indicadores do país: conforme dados do relatório nacional sobre forças de segurança, a Polícia Militar da Paraíba contava, em 2025, com 10.309 policiais em atividade, número que corresponde a apenas 54,4% do efetivo estabelecido pela legislação estadual.
Magnitude do déficit e proporção por habitantes
O levantamento classifica a presença policial por habitante entre as menores verificadas no Brasil. Na Paraíba, a média é de aproximadamente 2,5 policiais militares para cada 100 mil habitantes, índice que sinaliza uma distribuição considerada insuficiente para atender as demandas de prevenção e resposta a crimes em todo o território estadual.
A diferença entre o efetivo previsto em lei e o número atual de profissionais resulta em vagas em aberto e em sobrecarga para as unidades operacionais. A legislação estadual prevê um total de 18.935 vagas para a corporação, o que deixa um déficit flagrante de 8.626 posições não ocupadas.
Área de responsabilidade e composição do quadro
Além da baixa proporção por habitantes, o documento aponta que cada policial militar na Paraíba, em média, é responsável por uma faixa territorial de cerca de 5 km². Esse parâmetro ajuda a dimensionar a cobertura efetiva das patrulhas e a capacidade de atuação em áreas urbanas e rurais.
Outro indicador destacado é a baixa participação feminina na corporação: mulheres somam 7,9% do efetivo, percentual que é um dos menores do país, superando somente o Ceará segundo o levantamento. A presença reduzida de policiais mulheres pode ter efeitos sobre atendimento a vítimas de violência de gênero e sobre a diversidade de atuação nas unidades.
Remuneração comparada
O estudo também traz informações sobre a média salarial bruta dos policiais militares por estado. Na Paraíba, a média registrada foi de R$ 7.832,83, posicionando o estado em patamar inferior a vários outros entes federativos. Essa diferença fiscal e remuneratória costuma ser apontada por especialistas como um dos fatores que dificultam a atração e retenção de profissionais.
- Efetivo ativo (2025): 10.309 PMs
- Vagas previstas por lei: 18.935
- Percentual do efetivo ocupado: 54,4%
- Proporção: ~2,5 PMs por 100 mil habitantes
- Área média por policial: 5 km²
- Participação feminina: 7,9% do quadro
- Média salarial bruta: R$ 7.832,83
| Indicador | Valor (Paraíba) |
|---|---|
| Efetivo ativo (2025) | 10.309 |
| Vagas previstas na lei | 18.935 |
| Percentual do efetivo previsto | 54,4% |
| Policiais por 100 mil habitantes | 2,5 |
| Média salarial bruta | R$ 7.832,83 |
| Participação feminina | 7,9% |
Repercussões e respostas
O jornal entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social (SSDS) para solicitar esclarecimentos e posicionamento sobre as medidas planejadas para reduzir o déficit de efetivo, ampliar o contingente feminino e melhorar as condições salariais. Até a atualização desta reportagem, não houve retorno da pasta.
Especialistas em segurança pública consultados por outras pesquisas nacionais costumam relacionar déficits de pessoal e remuneração desajustada com menor capacidade de policiamento ostensivo, sobrecarga operacional e dificuldades na implementação de políticas de prevenção social. A carência de efetivo também impacta o planejamento de escalas, o tempo de resposta a ocorrências e o atendimento a serviços essenciais, como patrulhamento em áreas remotas.
Dados como os apresentados no relatório nacional servem como referência para debates sobre orçamento, concursos públicos e políticas de formação. Para a população, o descompasso entre vagas previstas e profissionais na ativa reflete diretamente na sensação de segurança e na disponibilidade de policiamento em vias urbanas, bairros periféricos e comunidades rurais.
Segurança pública é tema recorrente em agendas estaduais e municipais. A situação apontada exige definição de prioridades por gestores e elaboração de medidas articuladas entre Executivo, Legislativo e Executivo municipal para enfrentar o déficit de pessoal e garantir condições de trabalho adequadas à corporação.