O Osasco São Cristóvão Saúde divulgou nota oficial na noite de sexta-feira (14) reagindo à nova norma da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que passa a exigir comprovação de sexo biológico feminino para participação em competições femininas organizadas pela entidade. A mudança, anunciada pela CBV, teve efeito direto sobre a oposta Tifanny, primeira atleta trans a disputar a Superliga, e que representa o clube paulista desde 2021.
Posicionamento do clube e encaminhamento jurídico
No comunicado, o Osasco afirmou ter sido “surpreendido” pela decisão da CBV e ressaltou que a medida foi adotada “sem qualquer participação ou opinião prévia do clube”. O caso foi encaminhado ao departamento jurídico da agremiação, que está em processo de análise da normativa para definir os próximos passos.
"Surpreendidos" — a nota do clube também declarou "integral apoio a Tifanny".
Enquanto o departamento jurídico avalia a norma, o time manteve a postura de apoio público à jogadora. O texto da CBV altera critérios até então baseados em níveis de testosterona sérica, passando a exigir comprovação do sexo biológico por meio de testes genéticos para identificação do gene SRY, segundo a confederação.
Impacto imediato nas competições e calendário local
A Federação Paulista de Volleyball (FPV) também se manifestou e informou que, como o Campeonato Paulista Feminino teve início em 13 de agosto, a norma publicada pela CBV não será aplicada de forma retroativa ao Estadual em curso. Dessa forma, Tifanny segue liberada para a estreia do Osasco no Paulista, marcada para sábado (15), às 21h30, no Ginásio José Liberatti, em Osasco.
A FPV explicou que eventuais medidas para as próximas competições serão definidas após análise conjunta das áreas jurídica e de saúde da entidade estadual.
- O que muda: adoção de teste genético para detecção do gene SRY como critério de elegibilidade.
- Competição atual: Campeonato Paulista em andamento — norma da CBV não será aplicada retroativamente.
- Andamento: Osasco encaminhou questão ao departamento jurídico e declarou apoio público à atleta.
Alcance da nova política da CBV
Segundo a própria Confederação, a nova determinação foi formulada com o objetivo de deixar as competições nacionais alinhadas a parâmetros adotados por instâncias internacionais, citando o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A norma prevê aplicação nas próximas edições da Superliga (A e B), na Supercopa, na Copa Brasil e no Circuito Brasileiro de vôlei de praia, com início de vigência a partir das edições mencionadas.
| Competição | Aplicação prevista |
|---|---|
| Superliga A e B | Edições 2026/27 |
| Supercopa | 2026 |
| Copa Brasil | 2027 |
| Circuito Brasileiro (vôlei de praia) | 2027 |
Até a publicação da nota do Osasco, a entidade paulista afirmou que qualquer mudança em torneios futuros passará por análise jurídica e de saúde. A mudança de critério representa um deslocamento em relação ao regulamento anterior, que permitia a participação de mulheres trans desde que os níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de determinado limite.
O episódio também remete a decisões judiciais anteriores envolvendo a atleta: em fevereiro deste ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia concedido liminar permitindo a participação de Tifanny na Copa Brasil de 2026, em Londrina (PR), em atendimento a pedido da própria CBV — fato que integra o histórico jurídico e político da matéria.
Consequências locais e próximos passos
Para a cidade de Osasco, o caso soma tensão institucional e desdobramentos esportivos: o clube terá de conciliar a defesa de uma atleta que é figura do time desde 2021 com as novas regras nacionais anunciadas pela entidade máxima do voleibol brasileiro. A presença de Tifanny no Ginásio José Liberatti para a estreia no Estadual mantém a agenda esportiva local intacta, mas a tramitação da questão nos departamentos jurídicos do clube e das federações pode influenciar convocações, registros e inscrições em competições organizadas pela CBV.
Nas próximas semanas, as decisões internas do Osasco e as manifestações formais da FPV e da CBV sobre possíveis exceções ou aplicação dos novos critérios aos casos existentes definirão o contorno prático da medida para atletas e para clubes do estado.