A Prefeitura de Osasco realizou, na sexta-feira (7), a cerimônia de lançamento e posse do Comitê Técnico-Científico de Ações Climáticas, marcado como novo instrumento para integrar conhecimento técnico ao planejamento municipal sobre mudanças climáticas. No mesmo evento, foi apresentado o estudo de Avaliação de Riscos e Vulnerabilidades Climáticas (ARVC), elaborado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Diagnóstico e escopo do estudo
O ARVC mapeia ameaças climáticas e identifica áreas e sistemas vulneráveis em Osasco, projetando cenários de risco para os anos 2050 e 2100. O levantamento segue diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e foi apresentado no Espaço Grande Otelo, em evento que reuniu secretários municipais, representantes do PNUD e especialistas acadêmicos.
Participaram da cerimônia, entre outros, os secretários Juliano Duarte Vieira (Planejamento e Gestão) e Gisele Solykos (Família, Cidadania e Alimentar), o secretário-executivo João Paulo Pucciarello Perez (Segurança Alimentar e Sustentabilidade), o chefe de gabinete Gustavo Pegorari, o coordenador da Defesa Civil Renato Castineira, o adjunto de Serviços e Obras Persival Santi, a representante do PNUD Talita Torres Viana e o professor Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo.
Orientação para políticas públicas
Segundo a Prefeitura, o documento servirá como base técnica para o desenho e priorização de ações de adaptação e redução de riscos no município. Durante o evento, o chefe de gabinete reforçou a centralidade do diagnóstico no processo de formulação de políticas:
“Toda política pública começa por um diagnóstico. Hoje entregamos não apenas um relatório, mas uma bússola que servirá de norte para construir ações afirmativas e eficientes, garantindo qualidade de vida aos cidadãos de Osasco”.
O secretário de Planejamento e Gestão destacou que a formalização do Comitê deve ampliar a integração entre áreas da administração e consolidar práticas de sustentabilidade que já vinham sendo implementadas. O documento, ao alinhar-se às diretrizes do IPCC, também abre caminho para que Osasco busque recursos e parcerias técnicas em nível estadual, federal e internacional.
Composição do Comitê e objetivos imediatos
O Comitê Técnico-Científico anunciado tem caráter multidisciplinar, reunindo representantes de diversas secretarias, da Defesa Civil, do PNUD e do meio acadêmico. Entre as metas iniciais estão a incorporação do ARVC ao planejamento municipal, a identificação de prioridades de investimento em infraestrutura verde e cinza, e a definição de medidas de proteção social para populações mais vulneráveis.
- Analisar áreas municipais com maior exposição a eventos extremos;
- Definir ações de adaptação e mitigação aplicáveis ao contexto local;
- Orientar investimentos em infraestrutura e programas sociais com base no diagnóstico técnico.
Projeções temporais e aplicação prática
O estudo cobre horizontes temporais distintos, com projeções que diferem em escala e impacto entre 2050 e 2100. Essas janelas de tempo permitem ao município compatibilizar medidas imediatas de redução de risco com estratégias de longo prazo, essenciais para a infraestrutura urbana e para a segurança alimentar e habitacional.
| Horizonte | Finalidade |
|---|---|
| 2050 | Identificar riscos de médio prazo e priorizar ações de adaptação e infraestrutura |
| 2100 | Projetar cenários de longo prazo que orientem planejamento estratégico e políticas públicas |
Especialistas do PNUD e da Universidade Federal de São Paulo acompanharão a fase inicial de implementação, segundo a Prefeitura. A expectativa é que o diagnóstico subsidie revisões em planos diretores, programas de drenagem urbana, corredores verdes e políticas de proteção a populações em áreas de risco.
Ao institucionalizar o Comitê, a administração municipal busca traduzir conhecimento técnico em decisões administrativas e orçamentárias mais alinhadas ao desafio climático. Para a cidade, que integra a Região Metropolitana de São Paulo, o movimento também sinaliza compromisso em diálogo com agências multilaterais e com o meio acadêmico, fundamentais para acessar recursos e incorporar inovações na gestão urbana.
O próximo passo anunciado é a definição do plano de trabalho do Comitê e a calendarização de reuniões técnicas para transformar o diagnóstico em ações com cronograma e indicadores de resultado.