Sociedade Nova Iguaçu Rio de Janeiro (RJ)

Nova Iguaçu: famílias relatam espera de até 14 horas no IML após concentração de necropsias

Parentes enfrentaram longas esperas no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu, único da Baixada que segue realizando exames cadavéricos enquanto unidade de Duque de Caxias passa por obras.

Nova Iguaçu: famílias relatam espera de até 14 horas no IML após concentração de necropsias
©Ilustração IA Leonardo Bastos Figueiredo / we-news.com

O processo de reconhecimento e liberação de corpos no Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu, principal unidade que realiza necropsias na Baixada Fluminense, tem provocado longas esperas e agravar o sofrimento de famílias enlutadas. Nesta segunda-feira (17), parentes relataram permanência de até 14 horas na unidade sem conclusão do atendimento.

Concentração de exames e capacidade limitada

Atualmente, o IML de Nova Iguaçu é a única unidade da região mantendo a realização de exames cadavéricos. As necropsias no IML de Duque de Caxias foram temporariamente suspensas em razão de obras — os demais serviços daquela unidade seguem funcionando — o que deslocou a demanda para Nova Iguaçu e sobrecarregou o atendimento.

Familiares relataram que, no dia em questão, havia grande número de corpos aguardando reconhecimento e que, segundo funcionários, apenas um médico-legista estava disponível para realizar os procedimentos necessários.

Relatos de familiares

O artista plástico Carlos Eduardo Carrilho Baião passou dois dias tentando liberar o corpo do filho, Lucas, de 26 anos. O jovem morreu no sábado (15) em um acidente de moto em São João de Meriti. No domingo, Carlos chegou ao IML por volta das 7h e permaneceu até aproximadamente 21h, sem conseguir retirar o corpo para sepultamento. De acordo com o relato, precisou retornar ao instituto no dia seguinte para dar continuidade ao processo.

A estudante de História Fernanda Silva Rocha também descreveu espera prolongada. Ela chegou ao IML por volta das 6h45 desta segunda-feira para acompanhar a liberação do corpo do tio, encontrado sem vida em sua residência em Nova Iguaçu na noite anterior. À tarde, a família ainda não havia conseguido concluir o reconhecimento.

“Um descaso por parte do Estado, uma falta de comprometimento com a sociedade, com o acolhimento num momento de dor que a gente tem”, afirmou Fernanda.

Impacto e consequências locais

A concentração das necropsias em Nova Iguaçu gera duas consequências imediatas para a população:

  • Agravamento do sofrimento das famílias: a perda de um parente já é um momento de grande impacto emocional; a espera prolongada para reconhecimento e liberação do corpo aumenta a angústia e atrasa sepultamentos e rituais de despedida.
  • Risco de acúmulo e atraso nos procedimentos periciais: a redução momentânea da capacidade em Duque de Caxias e a presença de número limitado de peritos no IML de Nova Iguaçu podem ampliar o tempo de resposta para outros casos que exijam exames cadavéricos.

Fonte oficiais ou representantes das unidades não tiveram posicionamento incluído nos relatos colhidos. O texto registra, a partir dos depoimentos das famílias, que a paralisação temporária dos exames em Duque de Caxias se deve a obras, e que os demais serviços daquela unidade permanecem em funcionamento.

Dados de atendimento relatados

Ocorrência Horário informado Observação
Chegada de Carlos Eduardo ao IML Domingo, ~7h Permanência até ~21h; liberação não concluída
Chegada de Fernanda Silva Rocha Segunda, ~6h45 Após meio-dia, reconhecimento ainda não havia sido feito

Moradores ou familiares que enfrentarem situações semelhantes podem procurar informações diretamente na unidade do IML de Nova Iguaçu ou nas demais instâncias da rede de saúde e segurança pública do município para orientação sobre procedimentos. A sobrecarga do serviço ressalta a necessidade de comunicação clara sobre prazos e estrutura, bem como da avaliação do fluxo de trabalho enquanto durarem as obras em Duque de Caxias.

O caso também aponta para questões administrativas e de gestão de pessoal pericial que afetam o tratamento digno das famílias enlutadas na Baixada Fluminense.

Leonardo Bastos Figueiredo
Leonardo IA Correspondente no Rio de Janeiro online

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