Um levantamento do SPC Brasil encomendado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá aponta que, em julho, cerca de 1,5 milhão de consumidores adultos em Mato Grosso estavam com algum tipo de restrição de crédito. O número representa um crescimento de 6,50% em relação a julho de 2025, segundo os dados divulgados pela CDL.
Perfil do devedor e duração das dívidas
O estudo mostra que a inadimplência no estado está concentrada na população em idade produtiva: a faixa etária de 30 a 39 anos reúne 26,85% dos registros, seguida pelas pessoas entre 40 e 49 anos, com 22,77%. Em termos de gênero, 53,44% dos inadimplentes são homens e 46,56% mulheres.
A média do saldo devedor por consumidor em Mato Grosso é de R$ 6.145. Além do montante, chama atenção o tempo médio que as obrigações permanecem sem pagamento: quase 29 meses, ou seja, mais de dois anos e meio em situação de inadimplência.
Onde estão as dívidas
As instituições financeiras concentram a maior parte das pendências: 54,81% das dívidas registradas no levantamento são relacionadas a bancos e entidades financeiras. Isso indica que operações de crédito e empréstimos respondem por mais da metade do déficit de crédito na base de consumidores do estado.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Consumidores inadimplentes (jul/2026) | ~1.500.000 |
| Variação anual (jul/2025 → jul/2026) | +6,50% |
| Variação mês a mês (jun → jul) | -0,06% |
| Dívida média por consumidor | R$ 6.145 |
| Tempo médio de inadimplência | ~29 meses |
| Percentual de dívidas em instituições financeiras | 54,81% |
Preocupações do comércio e causas apontadas
Para a CDL de Cuiabá, o problema mais grave não é apenas o volume de devedores, mas a duração das dívidas. Consumidores endividados por longos períodos tendem a demorar mais para retomar o consumo e reorganizar as finanças, diminuindo a velocidade de recuperação da economia local.
“Mais do que o volume de dívidas, é a duração da inadimplência que preocupa a economia mato-grossense, já que consumidores endividados há anos tendem a demorar mais para retomar o consumo e reorganizar as finanças”,
disse o presidente da CDL, Júnior Macagnam, ao comentar os dados.
Além da questão do crédito formal, o levantamento e a análise da CDL chamam atenção para hábitos de consumo que podem agravar o endividamento. Entre eles está o crescimento das apostas e jogos on-line, apontado como fator de desestruturação financeira em famílias. A Confederação Nacional do Comércio (CNC), citada pela CDL, registrou aumento de gastos com apostas nos últimos anos, com um crescimento de 500% em três anos e valores que, segundo a entidade, superaram R$ 30 bilhões por mês em março de 2026.
Consequências e recomendações
O panorama traçado pelo levantamento tem implicações diretas para produtores, comerciantes e para o consumidor urbano. No curto prazo, a manutenção de um elevado contingente de inadimplentes reduz a capacidade de consumo e pressionará vendas no varejo; no médio prazo, pode elevar o custo do crédito para tomadores e encarecer operações financeiras.
Como medidas práticas, especialistas e representantes do comércio costumam defender ações conjuntas entre setor público e privado para ampliar a educação financeira, fortalecer canais de renegociação e ampliar o acesso a serviços de orientação para reorganização financeira.
- Consumidores: verificar o extrato de débitos e priorizar renegociações com taxas e prazos adequados.
- Comerciantes e prestadores: oferecer alternativas de parcelamento responsável que não comprometam a capacidade de pagamento.
- Poder público e entidades: ampliar programas de educação financeira e fiscalização de práticas de crédito e jogos on-line.
O cenário também impõe atenção às condições macroeconômicas e ao mercado de trabalho em Mato Grosso: recuperação do emprego e renda será essencial para reduzir o estoque de inadimplência e restabelecer o fluxo de consumo no estado.
Reportagem produzida a partir de dados do SPC Brasil e declarações da CDL Cuiabá.