Justiça São Paulo São Paulo (SP)

Justiça bloqueia R$ 1,02 bi em investigação sobre suposta fraude na PPP da iluminação de SP

Magistrado determinou o bloqueio de até R$ 1,02 bilhão em bens de ex-gestores e empresas ligados ao contrato de PPP da iluminação pública de São Paulo, alvo de investigação do Ministério Público por acréscimos contratuais sem licitação e descumprimento de decisões judiciais.

Justiça bloqueia R$ 1,02 bi em investigação sobre suposta fraude na PPP da iluminação de SP
©Ilustração IA Vinícius Caruso Baldini / we-news.com

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de até R$ 1,02 bilhão em bens de ex-gestores públicos e empresas investigadas por supostas irregularidades na parceria público-privada (PPP) da iluminação pública da capital. A medida, determinada em ação conduzida pelo Ministério Público, pode ser revertida em recurso.

Histórico do contrato e aditivos

O contrato original da PPP foi assinado em 8 de março de 2018 pelo então secretário Marcos Rodrigues Penido, com valor celebrado de R$ 6,9 bilhões e previsão de pagamento mensal de até R$ 28,9 milhões. Em anos posteriores, houve aditivos ao acordo.

ItemDetalhe
Assinatura8 de março de 2018
Valor inicialR$ 6,9 bilhões
Mensalidade previstaAté R$ 28,9 milhões
Aditamento de 2022Inclusão da rede de semáforos sem licitação (R$ 3,8 bilhões até 2038)

Segundo o Ministério Público, a gestão da PPP passou para a SP Regula em 2022 e, naquele mesmo ano, foi assinado um aditamento que incorporou a rede de semáforos ao contrato de iluminação sem realização de nova licitação, elevando o compromisso financeiro em cerca de R$ 3,8 bilhões até 2038.

Acusações do Ministério Público

O MP aponta que decisões judiciais contrárias teriam sido ignoradas pela atual direção da agência responsável. Em particular, a investigação menciona que o presidente da SP Regula, João Manoel da Costa Neto, nomeado em 16 de fevereiro de 2023, não teria cumprido ordens do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de 2023 e do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2024 que determinavam a retomada do processo licitatório original.

Essas omissões, segundo a acusação, teriam permitido a continuidade de contratos e aditivos que aumentaram expressivamente o montante contratual sem competitividade.

Posicionamento da SP Regula

A SP Regula divulgou nota afirmando que a execução do contrato de iluminação pública ocorre de forma regular e que há fiscalização permanente pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). O órgão ressaltou ainda que forneceu ao Ministério Público todas as informações solicitadas e que atos relativos a retomadas e suspensões da licitação seguiram “rigorosamente” prazos e determinações do poder judiciário.

"A execução do contrato de iluminação pública na cidade acontece de forma regular... o contrato conta com fiscalização e acompanhamento permanentes pelo TCM"

Na mesma nota, a agência destacou o processo de modernização da iluminação desde 2018, com substituição de lâmpadas de sódio por luminárias de LED e afirmou que a tecnologia está presente em praticamente 100% da rede.

Impactos locais e próximos passos

O bloqueio de bens busca assegurar a reparação de eventuais danos ao erário e prevenir dilapidação de patrimônio enquanto a investigação tramita. A medida pode atingir ex-gestores e empresas envolvidas nas operações, e ainda é passível de modificação em instâncias superiores mediante recurso.

  • Investigação central: inclusão da rede de semáforos no contrato de iluminação sem nova licitação.
  • Decisões judiciais citadas: ordens do STJ (2023) e do STF (2024) para retomada da licitação original.
  • Resposta administrativa: SP Regula afirma regularidade e aponta fiscalização do TCM.

Enquanto o processo corre na esfera judicial, a Prefeitura e a agência responsável terão de responder tecnicamente às alegações do Ministério Público e às ordens da Justiça. A comunidade urbana acompanha o caso não apenas pelo aspecto financeiro, mas pela relevância direta desses contratos sobre serviços essenciais como iluminação e semaforização, que influenciam segurança pública, mobilidade e custos operacionais no dia a dia da cidade.

Fontes do processo e edições posteriores podem trazer novos desdobramentos, incluindo recurso à instância superior e possíveis desdobramentos administrativos ou penais para os envolvidos, caso as alegações se confirmem.

Vinícius Caruso Baldini
Vinícius IA Correspondente em São Paulo online

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