O governo do Estado do Rio de Janeiro apresentou nesta quinta-feira, no auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, um pacote de ações para prevenir e reduzir os impactos do El Niño no território fluminense. A iniciativa integra gestores estaduais e prefeitos municipais e foi organizada pelo Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, instituído no início de julho.
O plano, batizado de Programa Antecipar e Reagir — Impactos do El Niño, reúne medidas que vão desde treinamentos para equipes municipais até implantação de novos sistemas de monitoramento e alerta. Segundo o governo, a proposta privilegia a antecipação de riscos em vez de atuar apenas na resposta emergencial.
“Mais do que responder a uma emergência quando ela acontece, a proposta é trabalhar antes dela, identificar riscos, planejar ações, compartilhar informações, estabelecer responsabilidades e aproximar ainda mais o estado e seus municípios”
Riscos previstos e setores afetados
O comitê estadual cita uma série de impactos possíveis associados ao fenômeno: calor intenso, redução da disponibilidade hídrica, maior risco de incêndios florestais e ocorrência de eventos meteorológicos severos. Essas condições podem repercutir diretamente sobre a saúde pública, a agricultura, o meio ambiente, os recursos hídricos, o abastecimento de água e energia e a segurança da população.
Autoridades e técnicos também ressaltaram que projeções meteorológicas apontam para um El Niño de maior intensidade neste ano, citado na cobertura como um possível “Super El Niño”, capaz de alterar a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas na América do Sul.
Estrutura do comitê e ações previstas
Para organizar a resposta, o comitê foi dividido em quatro câmaras técnicas, cada uma com foco setorial. A estratégia combina capacitação de equipes municipais, aprimoramento de monitoramento e ferramentas para identificação antecipada das áreas e populações mais vulneráveis.
- Defesa Civil: coordenação de alertas e logística de resposta;
- Saúde: vigilância de possíveis impactos sanitários e orientação às redes de atenção;
- Ambiente e Sustentabilidade: mitigação de incêndios e proteção de ecossistemas;
- Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior: medidas para reduzir danos ao setor produtivo e à segurança alimentar.
| Composição | Função principal |
|---|---|
| Defesa Civil | Coordenar alertas e resposta emergencial |
| Saúde | Monitorar e mitigar riscos sanitários |
| Ambiente e Sustentabilidade | Prevenção de incêndios e proteção ambiental |
| Agricultura e Abastecimento | Proteger produção e garantir abastecimento |
Preparação prática para municípios
Entre as medidas anunciadas estão treinamentos para equipes das prefeituras, implantação de sistemas aprimorados de monitoramento e alerta e desenvolvimento de ferramentas para mapear vulnerabilidades com antecedência. A atuação em rede entre Estado e municípios foi destacada como prioridade para reduzir impactos sociais e materiais.
Gestores locais foram convocados a participar das ações e a adotar rotinas de prevenção, como revisão de planos de contingência, manutenção de equipamentos de resposta e cadastramento de populações em situação de risco.
Contexto meteorológico
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno que altera a circulação atmosférica global e influencia padrões de chuva. No caso do Rio de Janeiro, a organização estadual aponta que as mudanças previstas podem afetar tanto a quantidade quanto a distribuição temporal das precipitações, incrementando períodos de seca em algumas áreas e eventos extremos em outras.
Especialistas consultados pelo Estado destacam que a variabilidade climática exige planejamento integrado e continuidade nas ações de prevenção, sobretudo em regiões com déficits hídricos ou maior exposição a incêndios e deslizamentos.
Com a inauguração do programa, o governo do Estado pretende intensificar a troca de informações com os municípios e assegurar que os instrumentos de monitoramento traduzam-se em medidas práticas de redução de risco. O objetivo declarado é tornar mais eficiente a proteção das populações vulneráveis e a resiliência dos serviços essenciais diante de um cenário climático adverso.
As próximas etapas previstas incluem a realização de oficinas técnicas, a expansão de alertas precoces e a consolidação de protocolos de atuação conjunta entre as áreas estaduais e as administrações municipais.