O Governo do Estado do Rio de Janeiro lançará, na próxima quarta-feira, 12 de agosto, uma plataforma pública que integra diversas bases de dados sobre violências de gênero no estado. A ferramenta foi desenvolvida no âmbito do Observatório do Feminicídio do Rio de Janeiro, em parceria entre a Secretaria de Estado da Mulher e Políticas Inclusivas (SEMPI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e estará disponível no endereço www.observatoriofeminicidiorj.com.br.
Objetivos e alcance
A plataforma visa aumentar a capacidade do estado de produzir evidências, identificar fatores de risco e monitorar a atuação da rede de proteção — composta por segurança pública, saúde, assistência social e o sistema de justiça — para prevenção de feminicídios e outras formas de violência contra meninas e mulheres.
Segundo a nota oficial do governo, a iniciativa pretende ir além da consolidação de estatísticas: a proposta é analisar como a violência se manifesta ao longo das diferentes instituições estaduais, apontando pontos de maior vulnerabilidade, falhas na rede de atendimento e oportunidades para intervenções preventivas.
"Enfrentar o feminicídio exige mais do que produzir dados: exige conectá-los, qualificá-los e transformá-los em inteligência para a ação pública. O Observatório nasce justamente para romper a fragmentação das informações e permitir que segurança, saúde, assistência e justiça enxerguem, de forma integrada, onde estão os riscos e onde o Estado precisa agir"
A frase é de Giulia Luz, subsecretária de Políticas para Mulheres, que reforça a ênfase na articulação intersetorial como caminho para reduzir a ocorrência de crimes motivados por gênero.
Recursos e funcionalidades
A plataforma contará com painéis interativos construídos em Power BI, que permitirão acompanhar indicadores diversos relacionados às violências sofridas por mulheres e meninas no estado do Rio de Janeiro. Usuários poderão consultar séries temporais, distribuição geográfica e cruzamentos entre variáveis que envolvem serviços públicos e ocorrências registradas.
- Painéis interativos: visualização de indicadores e filtros por localidade e período.
- Integração de bases: consolidação de dados de diferentes órgãos para análise conjunta.
- Foco na prevenção: identificação de pontos de risco para orientar políticas públicas e ações da rede.
Contexto e importância local
O anúncio ocorre na mesma semana em que se completaram 20 anos da Lei Maria da Penha, marco legal fundamental no enfrentamento da violência doméstica no Brasil. Como referência da gravidade do problema no estado, o governo destacou que, no ano passado, 105 mulheres foram mortas no Rio de Janeiro.
Profissionais de segurança, saúde e assistência social costumam apontar que a fragmentação de informações entre órgãos dificulta intervenções rápidas e eficazes. A nova plataforma busca exatamente suprir essa lacuna, oferecendo subsídios técnicos para que gestores e equipes de atendimento priorizem ações em áreas e situações de maior risco.
Como acessar e quem deve utilizar
O Observatório do Feminicídio do RJ ficará disponível ao público no portal www.observatoriofeminicidiorj.com.br. Além de gestores e servidores públicos, a expectativa é que pesquisadores, organizações da sociedade civil e a imprensa utilizem os painéis para monitorar tendências e cobrar medidas mais efetivas de prevenção e proteção.
O governo informou que a plataforma permitirá o acompanhamento de indicadores relacionados a diferentes formas de violência, incluindo dados que possibilitem identificar gargalos na rede de atendimento e orientar ajustes em políticas públicas.
| Item | Informação |
|---|---|
| Data de lançamento | 12 de agosto de 2026 |
| Endereço | www.observatoriofeminicidiorj.com.br |
| Parceiros | SEMPI e UFRJ |
| Indicador divulgado | 105 mulheres mortas no ano anterior |
O lançamento é apresentado pelo governo como uma ferramenta de gestão e transparência. Para além dos números, a proposta é que o cruzamento de informações permita intervenções mais precisas e, idealmente, redução de casos letais.
O observatório chega em um momento de debate sobre como estados e municípios podem utilizar dados públicos para prevenir a violência de gênero. A integração de registros e a disponibilização de painéis acessíveis ao público constituem passos práticos nessa direção, embora especialistas ressaltem que a efetividade dependerá também de investimento contínuo em serviços de proteção e capacitação das redes de atendimento.
O portal oferecerá acesso aberto aos painéis e indicadores, permitindo que diferentes atores acompanhem em tempo próximo a evolução das ocorrências e a resposta institucional do estado.