Uma força-tarefa da concessionária Águas do Rio, atuante na Grande Tijuca desde 2024, interrompeu o lançamento de 9,36 milhões de litros de esgoto sem tratamento por dia no Rio Maracanã. O volume equivale a mais de três piscinas olímpicas e deixará de seguir para o Canal do Mangue e, posteriormente, para a Baía de Guanabara, segundo relatório da empresa.
Como foi feito o mapeamento e a correção
O trabalho combinou fiscalização, denúncias de moradores e intervenções em campo, apoiado por duas tecnologias de inspeção visual. A primeira, chamada Câmera Super Zoom, é operada por tablet e permite visualizar até 80 metros dentro de galerias retas sem necessidade de escavação. A segunda, a VCam, guiada por cabo, funciona como uma espécie de endoscopia e percorre tubulações curvas e profundas.
Com esses recursos técnicos foram identificadas e eliminadas 82 ligações clandestinas e recuperados 152 trechos de redes antigas. Em pontos de maior circulação, como a Rua Uruguai, na Tijuca, o monitor de inspeção exibiu imagens das galerias em tempo real para orientar equipes de fiscalização.
Casos encontrados e ações corretivas
Entre os problemas detectados, na Rua Afonso Pena uma situação chamou atenção: um edifício e duas casas despejavam esgoto na rede de captação de água de chuva por engano. Após orientação das equipes, os responsáveis ajustaram o encanamento, interrompendo o descarte diário de quase 13 mil litros de efluentes no Rio Maracanã.
Além das correções pontuais, a ação da concessionária também buscou reduzir impactos à saúde pública e ao ambiente urbano: diminuição de mau cheiro, menor presença de insetos na região e melhoria da qualidade da água que chega ao Canal do Mangue e à Baía de Guanabara.
"O fim do lançamento de 9,36 milhões de litros de esgoto sem tratamento por dia no Rio Maracanã é o resultado de uma força-tarefa realizada pela Águas do Rio na Grande Tijuca desde 2024."
Bairros e abrangência das intervenções
O trabalho de fiscalização e obras abrangeu áreas do entorno do Canal do Mangue, em diversos bairros da zona norte e central do município, entre eles:
- Tijuca
- Vila Isabel
- Andaraí
- Grajaú
- Maracanã
- Praça da Bandeira
- Alto da Boa Vista
- Usina
- Rio Comprido
- Lapa
- Centro
- Cidade Nova
Segundo a concessionária, a união entre tecnologia e participação da população foi determinante para localizar pontos de descarte irregular e planejar as intervenções de reparo sem necessidade de escavações extensas em grande parte dos trechos.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Volume diário interrompido | 9,36 milhões de litros |
| Conexões clandestinas eliminadas | 82 |
| Trechos recuperados | 152 |
| Despejo corrigido na Rua Afonso Pena | ~13 mil litros/dia |
Especialistas e moradores ouvidos pela Águas do Rio destacam que a redução desses lançamentos contribui para a melhora das condições sanitárias locais e para a qualidade ambiental da Baía de Guanabara, referência em esforços de recuperação ambiental na cidade. A continuidade das ações depende, segundo a concessionária, da manutenção das fiscalizações, da colaboração dos moradores e de investimentos na modernização da rede de esgotamento.
As operações mostram que, aliadas à tecnologia e à atuação em campo, medidas de orientação e regularização por parte dos responsáveis por imóveis são capazes de produzir resultados rápidos e perceptíveis para a população, tanto em termos de saúde pública quanto de vivência urbana.