O Exército Brasileiro realizou, no Campo de Instrução de Formosa (GO), um exercício voltado à defesa aérea contra drones que reuniu mais de 500 militares de 23 organizações na primeira semana de agosto. Batizada Sagitta Primus 2026, a atividade teve por objetivo testar capacidades de detecção, monitoramento e neutralização de ameaças aéreas representadas por veículos aéreos não tripulados (VANTs).
Contexto e objetivos do exercício
As manobras refletem a necessidade de adaptar a força terrestre a um cenário em que drones — sobretudo modelos de baixo custo — têm alterado a dinâmica dos conflitos contemporâneos e sido decisivos em teatros como os da Ucrânia e do Irã. Segundo o comando militar, a ação integra diretrizes da nova Política de Transformação do Exército, lançada em abril e com horizonte até 2043.
Meios empregados
Durante os treinamentos foram combinados sistemas de sensoriamento, armamento e recursos eletrônicos. Entre os equipamentos testados estavam radares de fabricação nacional e peças de artilharia e metralhadoras empregadas em plataformas blindadas e viaturas.
- Radares SABER M60 e SABER M200 — usados para detecção e rastreamento de alvos aéreos;
- Metralhadoras .50 instaladas em viaturas Guarani — emprego cinético para abater pequenos drones;
- Canhões do blindado antiaéreo Gepard — maior alcance e poder de fogo contra alvos aéreos;
- Soluções não cinéticas — equipamentos eletrônicos para interferir e bloquear sinais de controle das aeronaves.
| Equipamento | Função |
|---|---|
| SABER M60 / M200 | Detecção e rastreamento de VANTs |
| Metralhadora .50 (viatura Guarani) | Interdição cinética de drones de pequeno porte |
| Canhão Gepard | Eliminação de aeronaves em altitudes maiores |
| Sistemas eletrônicos | Neutralização por interferência |
Inovações e integração de sistemas
Pela primeira vez o Exército conduziu experimentos especificamente pensados para integrar defesa antiaérea e sistemas focados em drones. A experiência buscou validar a interoperabilidade entre sensores nacionais e meios cinéticos e eletrônicos, além de testar procedimentos de comunicação e tomada de decisão em ambiente operacional com múltiplas unidades.
Risco percebido e resposta institucional
O emprego crescente de VANTs em conflitos internacionais demonstrou que aparelhos de baixo custo podem causar danos significativos a equipamentos caros e infraestruturas críticas. Essa constatação levou a instituição a revisar doutrinas e a priorizar investimentos que aumentem a capacidade de proteção do espaço aéreo em operações terrestres.
"choque de realidade"
A organização do exercício admite que os conflitos recentes trouxeram lições que exigem ajustes rápidos na formação, no material e nos procedimentos. A prática no campo de instrução permite mapear lacunas e acelerar a aquisição e o desenvolvimento de soluções nacionais.
Implicações regionais
Para Goiás e municípios vizinhos, a atividade reforça a presença institucional do Exército e a intenção de ampliar capacidades tecnológicas no Centro‑Oeste. Exercícios do tipo também têm papel preventivo: além de aprimorar resposta a ameaças militares, podem contribuir para protocolos de proteção a eventos de grande porte e à segurança de infraestruturas críticas na região.
Próximos passos
O Sagitta Primus 2026 servirá como base para relatórios técnicos que devem orientar compras, treinamentos e ajustes doutrinários. A integração de sensores nacionais, como os radares mencionados, e o uso combinado de meios cinéticos e não cinéticos estão entre as prioridades apontadas para os próximos anos pela direção do Exército.
Fontes militares destacam que o desenvolvimento de capacidades de defesa contra drones é parte de uma agenda mais ampla de modernização, que contempla equipamentos, comunicações e interoperabilidade entre forças e organizações parceiras.