O número de pessoas empregadas no agronegócio brasileiro totalizou 27,79 milhões no primeiro trimestre de 2026, indicando retração de 1% em relação ao mesmo período de 2025 — o equivalente a uma queda de 267.298 postos de trabalho, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Setores que puxaram a queda
A diminuição na ocupação do setor não foi homogênea. A perda mais expressiva ocorreu nos agrosserviços — atividades de transporte, armazenagem e apoio logístico às lavouras —, que recuaram 2,9%, equivalente ao fechamento de 307.994 vagas. A agroindústria também registrou queda significativa, com redução de 3,1% (menos 148.527 trabalhadores). O segmento de insumos diminuiu 1,2%, com 3.756 postos eliminados.
Em sentido oposto, a produção primária — as atividades diretamente realizadas na fazenda — avançou 2,5%, adicionando 189.979 trabalhadores e evitando um recuo ainda maior no total da ocupação do agronegócio.
| Segmento | Variação (%) | Variação (nº de vagas) |
|---|---|---|
| Agrosserviços | -2,9% | -307.994 |
| Agroindústria | -3,1% | -148.527 |
| Insumos | -1,2% | -3.756 |
| Produção primária | +2,5% | +189.979 |
Vínculos profissionais e qualificação
O estudo também detalha a queda por vínculo profissional. A maior retração ocorreu entre os empregados sem carteira, que recuaram 3,6% (redução de 147,4 mil pessoas). Os empregados com carteira diminuíram 1,2% (menos 115,8 mil), enquanto o número de empregadores caiu 5,2% (menos 55,8 mil) e o de trabalhadores familiares auxiliares encolheu 5,0% (menos 68,5 mil).
Em contrapartida, o trabalho por conta própria registrou crescimento de 1,8%, adicionando cerca de 120,2 mil ocupados. O levantamento também aponta avanço da escolaridade no campo: o contingente de trabalhadores com ensino superior registrou aumento, mantendo a tendência de qualificação observada nos últimos anos.
Contexto macro e implicações
A retração no agronegócio acompanha o desempenho do mercado de trabalho nacional: a taxa de desocupação no País ficou em 6,1% nos três primeiros meses de 2026. Como resultado, os profissionais do agronegócio passaram a representar 25,73% da população ocupada nacional, abaixo dos 26,33% registrados no primeiro trimestre de 2025 e do patamar de 26,03% no quarto trimestre de 2025.
Movimentos distintos entre segmentos refletem mudanças estruturais e de demanda ao longo da cadeia. A queda em serviços ligados à logística e na indústria de processamento tende a afetar a eficiência das cadeias de escoamento e o custo final das commodities, enquanto o crescimento da produção primária sinaliza manutenção de mão de obra em atividades diretamente ligadas à safra.
- Perda total no setor: 267.298 ocupados (-1%).
- Segmentos com maior impacto: agrosserviços e agroindústria.
- Tendência de qualificação: aumento do contingente com ensino superior.
Para produtores e formuladores de políticas, os dados reforçam a necessidade de atenção a gargalos logísticos e à indústria de processamento, além de políticas de requalificação e de formalização do trabalho rural. A dinâmica também aponta para a importância de monitoramento contínuo das mudanças na composição do emprego no campo, uma vez que variações na ocupação influenciam custos, produtividade e sustentabilidade das atividades agropecuárias.