A coordenadora do plano econômico do candidato Flávio Bolsonaro, a economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, criticou publicamente a proposta de redução do limite máximo da jornada de trabalho e o fim da escala conhecida como 6x1. Em evento no Rio de Janeiro, ela classificou a iniciativa como "populista" e disse ser inócua para a realidade da maioria das famílias brasileiras.
Argumento central: liberdade para negociar
Daniella defendeu que a prioridade deveria ser a ampliação da liberdade individual para que trabalhadores e empregadores negociem condições contratuais. Segundo ela, a implementação de um limite rígido de jornada teria um impacto negativo sobre os custos das empresas e, por consequência, sobre a oferta de trabalho.
"É um debate populista, inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser."
Em sua avaliação, medidas que impõem limite semanal fixo criam um "custo enorme" para quem produz, expressão usada para ressaltar a preocupação com o encarecimento da mão de obra caso o Estado imponha novas restrições à jornada.
Defesa de flexibilização
Daniella propôs que, em vez de discutir limites máximos, o foco deve ser permitir que os cidadãos tenham liberdade para negociar contratos de trabalho conforme suas necessidades. Ela afirmou que o problema, na sua visão, não está na escala 6x1 em si, mas na falta de autonomia dos trabalhadores para pactuar alternativas com os empregadores.
- Posição da assessora: ampliar a liberdade para negociação individual de contratos.
- Crítica central: proposta de redução da jornada classificada como populista e inócua.
- Preocupação econômica: aumento de custos para empregadores e impacto sobre quem produz.
Contexto constitucional e posição do governo
No debate público em curso sobre legislação trabalhista, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê reduzir o limite máximo da jornada de trabalho no país de 44 horas para 40 horas semanais e estabelecer pelo menos dois dias de folga por semana, o que resultaria no fim da escala 6x1. A declaração da coordenadora econômica de Flávio ocorre no contexto dessa proposta apoiada pelo Executivo federal.
| Regra atual | Proposta (PEC apoiada pelo governo) |
|---|---|
| 44 horas semanais | 40 horas semanais |
| Escala 6x1 permitida | Pelo menos dois dias de folga por semana; fim da 6x1 |
A crítica pública de Daniella foi feita durante evento promovido por grupo empresarial no Rio de Janeiro e reafirma posições frequentemente adotadas por setores que defendem maior flexibilidade nas relações de trabalho, argumentando que restrições formais podem reduzir a oferta de empregos ou elevar custos de operação das empresas.
Ao mesmo tempo, a proposta apoiada pelo governo visa justamente reduzir a exaustão de jornadas longas e garantir mais períodos de descanso, alinhando-se a demandas de representantes sindicais e parcela significativa de trabalhadores. O debate sobre caminhos e consequências — maiores custos para empregadores versus ampliação de direitos e proteção ao descanso — segue em destaque nas discussões públicas e legislativas.
As declarações de Daniella Marques trazem à tona o embate entre duas visões: uma que prioriza maior flexibilidade contratual e outra que busca limitar por lei a duração do trabalho semanal. As próximas etapas legislativas e as negociações entre atores políticos, centrais sindicais e empresários definirão o formato final das regras que poderão afetar rotina de milhões de trabalhadores brasileiros.