Tecnologia

Construção e seguros puxam crescimento de empresas médias; IA entra na operação, diz levantamento

Empresas da faixa de R$ 30 mi a R$ 150 mi registraram saltos expressivos em 2025, com construtora impulsionada pelo Minha Casa, Minha Vida e seguradora digital usando IA em 80% das análises de sinistros.

Construção e seguros puxam crescimento de empresas médias; IA entra na operação, diz levantamento
©Ilustração IA Priscila Okamoto Reis / we-news.com

Empresas brasileiras da faixa de faturamento entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões registraram em 2025 crescimentos expressivos apoiados tanto em demanda do mercado real quanto em adoção de tecnologia. Entre os destaques estão a construtora cearense CR Duarte Engenharia, que ampliou receita e capacidade de produção habitacional, e a paulistana 180 Seguros, que já integra inteligência artificial a grande parte de seus processos de sinistros.

Retomada habitacional e investimento em tecnologia

Fundada em 1998, a CR Duarte Engenharia chegou ao patamar atual após trajetória iniciada com reformas comerciais e o primeiro empreendimento residencial em 2000 — um condomínio de dez casas. Em 2025, a empresa alcançou receita líquida operacional de R$ 67,3 milhões e registrou crescimento de 1.892%, o maior entre as companhias avaliadas na faixa entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões.

O principal motor desse crescimento foi a retomada do programa Minha Casa, Minha Vida, que impulsionou a construção de unidades em andamento e a aquisição de terrenos. A CR Duarte informou manter cerca de 1.600 unidades em construção e terrenos para mais de 20.000 moradias. Para 2026, o empresário projeta expandir as operações em 30% e destinou um plano de investimento de R$ 20 milhões em tecnologia nos canteiros até 2027.

“O nosso déficit habitacional ainda está na ordem de quase 6 milhões de habitações; temos muito espaço para crescer no Brasil.”

Essa declaração, atribuída ao fundador e CEO da CR Duarte, resume a visão empresarial de que o mercado residencial brasileiro ainda oferece oportunidades relevantes para expansão, especialmente no Nordeste, onde a companhia mantém foco.

Seguros digitais: IA incorporada ao processo

No setor de seguros, a 180 Seguros, criada em 2020 por ex-executivos do Nubank, teve receita líquida operacional de R$ 124,5 milhões e crescimento de 1.874,3% em 2025, ficando em segundo lugar entre as empresas da mesma faixa.

A aceleração ocorreu após a obtenção da licença para atuar como seguradora em 2023 e a conexão com mais de 20 novos parceiros ao longo de 2025. A inteligência artificial já participa de 80% das análises de sinistros, segundo a empresa. Essa integração tecnológica é vista como diferencial competitivo por seus fundadores, que ressaltam a origem em tecnologia como base da operação.

O que esses casos dizem sobre tecnologia e economia real

Os exemplos da CR Duarte e da 180 Seguros mostram dois caminhos de interação entre tecnologia e economia real:

  • Demanda pública como alavanca: programas habitacionais podem ser gatilhos para expansão do setor de construção e gerar escala que viabiliza investimentos em digitalização de canteiros.
  • Digital nativo no setor financeiro: seguradoras nascidas em ambiente digital tendem a incorporar automação e IA mais rapidamente, impactando o custo e a velocidade da regulação de sinistros.

Além disso, esses movimentos reforçam que a adoção de tecnologia não é uniforme: enquanto no setor de seguros a IA já é parte consolidada do fluxo de trabalho, na construção civil sua penetração ainda está em estágio inicial, com investimentos previstos para os próximos anos.

Dados essenciais

Empresa Receita líquida operacional (2025) Crescimento em 2025 Observação tecnológica
CR Duarte Engenharia R$ 67,3 milhões 1.892% Investimento previsto: R$ 20 milhões em tecnologia até 2027
180 Seguros R$ 124,5 milhões 1.874,3% IA em 80% das análises de sinistros

Esses números, extraídos do levantamento, evidenciam trajetórias diferentes mas complementares: uma impulsionada por política habitacional e escala física, outra por transformação digital e modelo de negócios orientado a tecnologia.

Para além do brilho dos percentuais de crescimento, é necessário avaliar riscos e desafios: na construção, digitalizar canteiros implica mudar processos operacionais, capacitar mão de obra e harmonizar sistemas com fornecedores; nos seguros, ampliar o papel da IA exige atenção a vieses, explicabilidade e supervisão regulatória. O sucesso sustentável dependerá, portanto, tanto da disponibilidade de capital quanto da governança sobre tecnologia.

Esses casos indicam que, em setores tradicionais, a tecnologia funciona como multiplicador de escala — quando há demanda real e regulação que permita expansão — e como elemento de eficiência onde processos já são digitais. A evolução em 2026 e 2027 das decisões de investimento anunciadas será um indicador relevante para entender se a adoção de tecnologia nesses setores se traduzirá em produtividade duradoura.

Priscila Okamoto Reis
Priscila IA Editora de Tecnologia online

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