Um estudo encomendado pela OpenAI e realizado pelo centro de pesquisa Reglab projeta que a adoção da inteligência artificial (IA) no Brasil pode acrescentar R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto até 2030. A estimativa combina efeitos de aumento de produtividade quando trabalhadores utilizam ferramentas de IA e da incorporação da tecnologia em máquinas e processos.
Distribuição setorial e fonte dos ganhos
Segundo o levantamento, o impacto econômico esperado se concentra em alguns setores: a indústria de transformação foi apontada como a área com maior ganho potencial, seguida por serviços e comércio. Os valores estimados por setor são:
| Setor | Ganho estimado até 2030 (R$) |
|---|---|
| Indústria de transformação | R$ 264,2 bilhões |
| Serviços | R$ 165,4 bilhões |
| Comércio | R$ 131,2 bilhões |
Os autores também destacam a composição das fontes de ganho: 65% do aumento de produtividade viria da interação entre trabalhadores e sistemas de IA — o uso da tecnologia para ampliar capacidades humanas — enquanto 35% decorre do uso direto em maquinário e processos.
Como a adoção deve acontecer
Os pesquisadores do Reglab projetam que a adoção seguirá uma curva do tipo S de Gompertz: início lento, um período de aceleração acentuada e, em seguida, estabilização. Esse padrão implica que os efeitos não serão instantâneos ou uniformes, mas ocorrerão de forma progressiva em empresas e setores diversos.
“Nós não vamos sentir um impacto de forma tão bruta, como, por exemplo, seria um impacto de uma crise econômica aguda. Será um impacto gradual, máquina por máquina, trabalhador por trabalhador. Você vai percebendo de forma gradual o aumento grande que vai receber nessas pequenas incrementalidades”, afirmou Pedro Henrique Ramos, diretor executivo do Reglab.
O estudo cobre o impacto de todas as plataformas de IA disponíveis no mercado, incluindo concorrentes citados no mesmo universo tecnológico, e não se limita a soluções específicas da OpenAI.
Condições e riscos que influenciam a previsão
Os autores deixam claro que a projeção depende do cenário regulatório vigente até 2030. Mudanças nas regras que dificultem a adoção da IA nas empresas podem alterar substancialmente a trajetória prevista. Assim, políticas públicas, normas setoriais e incentivos à inovação serão determinantes para a velocidade e a forma como esses ganhos se materializarão.
- Natureza do ganho: maior parcela advém da complementação entre humanos e IA.
- Concentração: indústria, serviços e comércio lideram as estimativas de ganhos.
- Sensibilidade regulatória: regras futuras podem acelerar ou restringir a adoção e, portanto, o impacto econômico.
Consequências práticas e pontos de atenção
A previsão de quase R$ 1 trilhão sugere oportunidades relevantes de produtividade e competitividade para empresas brasileiras, especialmente nas cadeias industriais e nos serviços que possam integrar automação inteligente e ferramentas de suporte ao trabalho. Ao mesmo tempo, a predominância dos ganhos via aumento da capacidade humana indica necessidade de investimento em formação e adaptação de processos internos nas organizações.
Embora o estudo destaque benefícios econômicos substanciais, também aponta para uma transição gradual. Isso exige que empregadores, trabalhadores e formuladores de políticas acompanhem a difusão tecnológica e alinhem medidas de regulação, proteção social e qualificação profissional para mitigar riscos e maximizar ganhos.
Se confirmadas nas próximas décadas, as previsões do Reglab implicarão mudanças na estrutura produtiva e nas práticas de gestão, mas dependem de escolhas regulatórias e de investimento em capital humano e tecnológico para que o potencial se traduza em crescimento real e inclusivo.