Um levantamento policial e reportagens locais indicam que o Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do estado, tem intensificado ações para abrir corredores logísticos que permitam o acesso aos portos do Rio, à região de Itaguaí e à Baía de Guanabara. A movimentação traduz uma mudança de foco: além de dominar territórios, o grupo busca rotas de passagem com potencial para escoamento de drogas.
Frentes de confronto
Segundo apuração, o CV está envolvido em pelo menos quatro confrontos simultâneos dentro da capital e região metropolitana. As frentes mapeadas são:
- Zona Sudoeste: disputas em Rio das Pedras e em favelas das Vargens e do Recreio;
- Zona Norte: confrontos em Cordovil, com ataques dirigidos a complexos controlados por rivais;
- Zona Oeste: tensão entre Campo Grande e Guaratiba, áreas que conectam a capital ao município de Itaguaí;
- Outras incursões registradas em bairros de Bangu e em áreas limítrofes à mata que separa localidades controladas por milicianos.
O cruzamento de informações pela polícia revela que as ações não se limitam a tombo de comunidades: há registro de tentativas de ocupação de áreas de mata e incursões armadas para avançar sobre territórios estratégicos.
| Área | Conflito/Alvo |
|---|---|
| Zona Sudoeste | Rio das Pedras; Vargens; Recreio |
| Zona Norte | Cordovil (favelas Tintas e Dourados) |
| Zona Oeste | Campo Grande, Guaratiba, conexão com Itaguaí |
| Bangu / Santa Cruz | Incursões para enfrentar milícias; tentativas de entrada sem sucesso em certas comunidades |
Rivais e estratégia
Além da disputa direta com milícias, o CV tem enfrentado o Terceiro Comando Puro (TCP) em várias frentes. Em áreas da Zona Norte, ataques têm sido atribuídos a grupos ligados ao TCP sob o comando de um dos seus líderes, que controla favelas de grande porte.
Fontes policiais consultadas afirmam que líderes do CV vêm ordenando invasões e movimentos coordenados para consolidar corredores que facilitem o transporte de entorpecentes em direção aos pontos de embarque marítimo. A ação inclui uso de armamento pesado em operações que atravessam áreas urbanas e trechos de mata.
Incidente recente
Em um episódio apontado em imagens de segurança, no fim de julho um grupo de homens armados com fuzis e trajando roupas camufladas percorreu área de mata entre bairros da Zona Oeste e Guaratiba na tentativa de alcançar uma comunidade sob controle de milicianos. A ação mostra como a disputa tem se dado também em trechos menos visíveis da cidade, fora do perímetro de ruas pavimentadas.
Impacto e desafios para a polícia
Especialistas e agentes que acompanham o cenário criminal no estado destacam que o controle de rotas representa um desafio operacional: além das operações tradicionais para retomar áreas, é necessário monitorar caminhos logísticos que podem ser usados para movimentação de cargas ilícitas por via terrestre até pontos de embarque.
O componente geográfico — com a ligação da Zona Oeste à Itaguaí e a presença de áreas de mata e manguezais na Baía de Guanabara — torna complexa a atuação das forças de segurança. O risco apontado é que, se consolidadas, essas rotas facilitem o escoamento para embarcações ou para outras redes de distribuição.
Próximos passos
Investigações seguem em curso nas delegacias especializadas. Operações pontuais e tentativas de mapeamento das rotas estão em andamento, com atenção a entradas e saídas de comunidades e ao monitoramento de portos e acessos marítimos. Autoridades continuam a avaliar medidas para conter a expansão das facções e proteger áreas sensíveis da cidade e da região metropolitana.
Enquanto isso, moradores das comunidades afetadas convivem com a escalada de tensão e com a presença ostensiva de grupos armados, numa dinâmica que altera rotina e traz preocupação sobre a segurança do entorno dos portos e das vias de escoamento do estado.