A colheita do algodão em Mato Grosso registra ritmo acelerado em várias regiões do estado, com destaque para Primavera do Leste, no Vale do Araguaia, onde já foram colhidos aproximadamente 80% das áreas cultivadas, segundo levantamento realizado pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) referente ao período de 2 a 8 de agosto de 2026.
Produtividade e preparação para a nova safra
Em Primavera do Leste a produtividade aferida está entre 280 e 320 arrobas por hectare. O município também tem acelerado as operações de beneficiamento da fibra e iniciado o preparo do solo para o próximo ciclo, com produtores sinalizando possibilidade de ampliação da área destinada ao algodão na temporada seguinte.
Desafios fitossanitários
Paralelamente à retirada da produção das lavouras, as equipes técnicas e os produtores intensificam ações de manejo para destruição de soqueiras e controle do bicudo-do-algodoeiro, praga que exige monitoramento contínuo nas regiões produtoras. Em várias localidades, o manejo da rebrota também tem sido prioridade para evitar a manutenção de inóculo da praga entre safras.
Ritmos e diferenças regionais
O levantamento da AMPA mostra ritmo distinto entre as principais áreas cotonicultoras do estado. No Norte mato-grossense, municípios como Sorriso e Lucas do Rio Verde já atingiram mais da metade das lavouras colhidas, enquanto no Noroeste, Nono e Centro do estado verificam avanço mais modesto, afetado por chuvas e oscilações da qualidade da fibra.
- Sorriso: 52% da área colhida; produtividade entre 260 e 390 arrobas/ha.
- Lucas do Rio Verde: 50% colhido; média de 310 arrobas/ha, rendimento de fibra de 41% e 15% do volume já beneficiado; chuvas afetaram lotes pontuais.
- Campo Novo do Parecis: retomada dos trabalhos após estiagem; precipitações anteriores causaram perdas de qualidade em alguns talhões.
- Sapezal: 25% da área colhida; produtividade média de 350 arrobas/ha, ritmo prejudicado pelas chuvas.
- Campo Verde: 25% colhido; 12% do volume beneficiado; rendimento de 260 a 360 arrobas/ha.
- Rondonópolis: 45% da área colhida; produtividade entre 250 e 350 arrobas/ha.
| Município | % Colhido | Produtividade (arrobas/ha) |
|---|---|---|
| Primavera do Leste | 80% | 280–320 |
| Sorriso | 52% | 260–390 |
| Lucas do Rio Verde | 50% | ≈310 (rendimento de fibra 41%) |
| Sapezal | 25% | ≈350 |
| Campo Verde | 25% | 260–360 |
| Rondonópolis | 45% | 250–350 |
Impacto das chuvas e manejo pós-colheita
As precipitações registradas nas últimas semanas influenciaram diretamente o andamento da colheita em pontos específicos, ocasionando atrasos e variações na qualidade da fibra. Em Lucas do Rio Verde e Campo Novo do Parecis, produtores relataram perdas em talhões mais afetados pelas chuvas anteriores. Esses trechos demandam atenção no beneficiamento para assegurar padrão e teor de fibra compatíveis com os contratos industriais.
Além do controle do bicudo, a mosca-branca também está sendo monitorada em áreas do Centro do estado, com recomendações técnicas concentradas em vigilância e intervenções localizadas para reduzir riscos à qualidade e ao rendimento.
O que muda para produtores e indústria
Com a colheita avançada em polos como Primavera do Leste, operadores de beneficiamento e logística precisam ajustar cronogramas para receber e tratar o volume de fibra, preservar qualidade e cumprir prazos comerciais. Para os agricultores, as atividades pós-colheita — destruição de soqueiras, monitoramento fitossanitário e preparo de solo — serão cruciais para reduzir riscos na entressafra e preparar a área para o plantio de soja, prática já observada em municípios onde o beneficiamento avança.
O relatório da AMPA, ao mapear percentuais, produtividades e problemas pontuais, orienta medidas práticas que podem reduzir perdas e preservar o valor da produção até sua entrada na indústria têxtil.
Este acompanhamento regional é relevante para operadores de mercado, cooperativas e técnicos, que dependem de sinais precisos na formação de preços, logística e decisões sobre plantio na próxima safra.
Correspondente no Mato Grosso, Henrique Scholz Wenzel acompanha a evolução das safras e as ações de manejo que ligam a produção ao mercado e à conservação do bioma regional.