O cinema e a literatura do Amapá ganharam destaque em eventos nacionais e em lançamento local nesta sexta-feira (28). A atriz amapaense Kellem Hemilly foi premiada no 49º Festival Guarnicê de Cinema, enquanto o curta-metragem Solo Agridoce recebeu duas honrarias no Santos Film Fest. No mesmo dia, a escritora e mestra Griô Esmeraldina dos Santos, de 71 anos, lançou em Macapá o livro Cartas de Aquilombamento, dedicado à preservação da ancestralidade e das tradições afro-amapaenses.
Reconhecimento no Festival Guarnicê
No 49º Festival Guarnicê, promovido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e considerado um dos eventos cinematográficos mais tradicionais do país, foi concedido a Kellem Hemilly o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Magrela. A produção, segundo os organizadores locais, foi realizada integralmente por profissionais amapaenses, o que reforça a capacidade técnica e artística do setor audiovisual do estado.
Premiações em Santos
Na 12ª edição do Santos Film Fest, no litoral paulista, o curta Solo Agridoce, dirigido e roteirizado por Jéssica Thaís e produzido pelas companhias Paneiro Produções e Oca Produções, conquistou duas distinções importantes: Melhor Direção pelo júri técnico e Melhor Filme pelo voto popular. As premiações apontam para uma recepção tanto crítica quanto do público, em um circuito onde o curta circula em seu primeiro ano de exibição.
De acordo com o material de divulgação das produtoras, Solo Agridoce tem como foco as memórias, saberes e vivências de mulheres negras em territórios tradicionais do Amapá, ampliando a visibilidade de histórias frequentemente marginalizadas nas telas nacionais.
Lançamento literário em Macapá
Em Macapá, no bairro Parque Residencial, a escritora, pedagoga e mestra Griô Esmeraldina dos Santos apresentou o livro Cartas de Aquilombamento. O evento reuniu familiares, amigos e representantes do setor cultural. Aos 71 anos, Esmeraldina organiza em sua obra reflexões sobre identidade quilombola e a necessidade de valorização das tradições afro-amapaenses como forma de preservar memória intergeracional.
Nas palavras dos presentes, o livro funciona como um registro que conecta gerações e serve como recurso pedagógico e cultural para comunidades que buscam manter vivas suas referências ancestrais. A iniciativa reflete uma tendência crescente de produção literária voltada à documentação de histórias locais e da diáspora afro-brasileira.
Impacto para o cenário cultural do Amapá
As condecorações em festivais e o lançamento de obras que resgatam memória e ancestralidade ampliam a visibilidade do Amapá no mapa cultural brasileiro. Prêmios como os recebidos por Magrela e Solo Agridoce contribuem para chamar atenção de programadores, curadores e públicos de outras regiões, potencialmente abrindo portas para novas exibições, parcerias e editais.
Ao mesmo tempo, obras literárias que documentam tradições quilombolas ajudam a consolidar um repertório cultural que pode ser utilizado em programas educacionais, projetos comunitários e políticas públicas de reconhecimento e proteção de territórios tradicionais.
- Kellem Hemilly — Prêmio: Melhor Atriz Coadjuvante (49º Festival Guarnicê) — Filme: Magrela.
- Solo Agridoce — Prêmios no Santos Film Fest: Melhor Direção (júri técnico) e Melhor Filme (voto popular).
- Esmeraldina dos Santos — Lançamento do livro Cartas de Aquilombamento em Macapá.
| Evento | Prêmio/atividade | Produção/Autor |
|---|---|---|
| Festival Guarnicê (49ª edição) | Melhor Atriz Coadjuvante | Kellem Hemilly — Magrela |
| Santos Film Fest (12ª edição) | Melhor Direção / Melhor Filme | Solo Agridoce — Jéssica Thaís (direção) |
| Macapá — lançamento local | Livro lançado | Cartas de Aquilombamento — Esmeraldina dos Santos |
Perspectivas e próximos passos
As produções mencionadas seguem em circulação por circuitos de festivais e exibições, processo que pode gerar novas premiações e oportunidades de financiamento. Para a literatura, o lançamento deve abrir caminhos para debates, sessões de leitura e atividades educativas que incorporem o conteúdo do livro às práticas locais.
Especialistas e agentes culturais consultados em ocasiões anteriores costumam ressaltar que o reconhecimento externo é importante, mas precisa ser acompanhado de políticas públicas e de mercado cultural fortalecido para garantir sustentabilidade às iniciativas. No caso do Amapá, o conjunto de prêmios e lançamentos reforça a necessidade de investimentos em formação técnica, infraestrutura de produção e canais de difusão regionais.
O fortalecimento do circuito cultural local passa também pela valorização de profissionais e coletivos que trabalham com relatos e memórias do estado, contribuindo para que histórias e saberes tradicionais cheguem a novas plateias e sejam preservados nas próximas gerações.