Em visita a Sinop neste domingo, a candidata ao Senado Janaina Riva (MDB) defendeu a criação de uma Secretaria do Agro no Governo de Mato Grosso com o objetivo de centralizar e ampliar a representação do setor produtivo nas instâncias de decisão nacionais e internacionais. A proposta busca integrar parte das demandas hoje lideradas por entidades do próprio agronegócio e elevar a participação do poder público nas discussões que influenciam diretamente a produção estadual.
Proposta e justificativa
Segundo a candidata, o atual arranjo institucional não atenderia integralmente as necessidades do campo. Ela citou organizações como Famato, Aprosoja e o Fórum Agro como os atores que, na prática, têm representado os produtores nas negociações mais relevantes. Para Janaina, é preciso que essa interlocução também esteja presente na estrutura do governo estadual para garantir voz e coordenação técnica nas pautas que afetam a produção.
"A nossa galinha dos ovos de ouro é o agronegócio mato-grossense"
Na visão da candidata, a nova secretaria poderia concentrar políticas de tecnificação, inovação e apoio ao desenvolvimento do agronegócio, além de atuar em temas sensíveis à atividade rural, como o marco temporal e questões relacionadas à moratória da soja. Ela afirmou também que muitas ações e pressões externas demandam resposta articulada do Estado para preservar a autonomia e a competitividade da produção local.
Contexto institucional
Atualmente, o estado dispõe de uma Secretaria de Agricultura Familiar, cuja atribuição, segundo Janaina, não contempla plenamente os interesses dos grandes produtores e das cadeias exportadoras. O argumento central da proposta é transformar a interlocução técnico-política em uma estrutura de governo capaz de participar diretamente dos grandes debates que afetam Mato Grosso.
Durante a agenda em Sinop, a candidata também visitou a Feira da Família, iniciativa da Associação dos Feirantes de Sinop (Afes), criada em 2022, onde conversou com produtores e feirantes sobre demandas locais e sobre a interface entre agricultura familiar e agronegócio em maior escala.
O que uma Secretaria do Agro poderia englobar
- Coordenação de políticas de apoio técnico e inovação para produtores;
- Articulação com entidades representativas e órgãos federais e internacionais;
- Interlocução sobre temas regulatórios e de mercado, como moratórias e certificações;
- Integração de programas voltados à agricultura familiar e à indústria agroexportadora.
Janaina ressaltou a necessidade de diálogo permanente entre governo e entidades do setor, defendendo que a presença institucional do Estado poderia reduzir lacunas na defesa de interesses e no planejamento estratégico da produção.
Tabela: atores mencionados e possíveis papéis
| Atores | Função atual | Papel na proposta |
|---|---|---|
| Famato | Representação de produtores | Parceira de diálogo e definição de políticas |
| Aprosoja | Associação setorial | Consultoria técnica e articulação com o setor |
| Fórum Agro | Conselho/diálogo setorial | Canal de representação em debates estratégicos |
| Secretaria de Agricultura Familiar | Pasta estadual existente | Complementação / integração de políticas |
Embora a proposta destaque ganhos potenciais em coordenação e representatividade, ainda não foram apresentados pela candidata detalhes sobre estrutura administrativa, orçamento previsto ou como se daria a articulação entre a nova secretaria e as pastas já existentes no governo estadual.
Impactos para produtores e para a economia estadual
Mato Grosso tem na agropecuária um dos pilares de sua economia, com produção voltada tanto ao mercado interno quanto às exportações. A criação de uma secretaria dedicada poderia, em tese, fortalecer a capacidade do estado de negociar políticas públicas, facilitando acesso a tecnologias e a mercados, e respondendo mais rapidamente a pressões regulatórias externas.
Para os produtores, a mudança poderia representar maior previsibilidade em temas como suporte técnico, programas de inovação e influência em normas que afetam a comercialização. Contudo, a efetividade dependerá do desenho institucional, da dotação orçamentária e da forma de governança que for adotada.
Nos próximos dias, a proposta tende a ser debatida no circuito político e entre as entidades do setor. Produtores e representantes associativos avaliarão os potenciais benefícios e os riscos de sobreposição de competências com as estruturas já existentes.
Reportagem produzida a partir da agenda pública da candidata em Sinop e das declarações disponibilizadas durante o evento.