Agronegócio Sinop Mato Grosso (MT)

Candidata ao Senado propõe Secretaria do Agro para fortalecer representação do setor em MT

Em agenda em Sinop, Janaina Riva (MDB) defendeu a criação de uma pasta estadual dedicada ao agronegócio, afirmando que o atual formato não atende a todas as demandas dos produtores e que o Estado precisa ampliar sua presença em fóruns nacionais e internacionais.

Candidata ao Senado propõe Secretaria do Agro para fortalecer representação do setor em MT
©Ilustração IA Henrique Scholz Wenzel / we-news.com

Em visita a Sinop neste domingo, a candidata ao Senado Janaina Riva (MDB) defendeu a criação de uma Secretaria do Agro no Governo de Mato Grosso com o objetivo de centralizar e ampliar a representação do setor produtivo nas instâncias de decisão nacionais e internacionais. A proposta busca integrar parte das demandas hoje lideradas por entidades do próprio agronegócio e elevar a participação do poder público nas discussões que influenciam diretamente a produção estadual.

Proposta e justificativa

Segundo a candidata, o atual arranjo institucional não atenderia integralmente as necessidades do campo. Ela citou organizações como Famato, Aprosoja e o Fórum Agro como os atores que, na prática, têm representado os produtores nas negociações mais relevantes. Para Janaina, é preciso que essa interlocução também esteja presente na estrutura do governo estadual para garantir voz e coordenação técnica nas pautas que afetam a produção.

"A nossa galinha dos ovos de ouro é o agronegócio mato-grossense"

Na visão da candidata, a nova secretaria poderia concentrar políticas de tecnificação, inovação e apoio ao desenvolvimento do agronegócio, além de atuar em temas sensíveis à atividade rural, como o marco temporal e questões relacionadas à moratória da soja. Ela afirmou também que muitas ações e pressões externas demandam resposta articulada do Estado para preservar a autonomia e a competitividade da produção local.

Contexto institucional

Atualmente, o estado dispõe de uma Secretaria de Agricultura Familiar, cuja atribuição, segundo Janaina, não contempla plenamente os interesses dos grandes produtores e das cadeias exportadoras. O argumento central da proposta é transformar a interlocução técnico-política em uma estrutura de governo capaz de participar diretamente dos grandes debates que afetam Mato Grosso.

Durante a agenda em Sinop, a candidata também visitou a Feira da Família, iniciativa da Associação dos Feirantes de Sinop (Afes), criada em 2022, onde conversou com produtores e feirantes sobre demandas locais e sobre a interface entre agricultura familiar e agronegócio em maior escala.

O que uma Secretaria do Agro poderia englobar

  • Coordenação de políticas de apoio técnico e inovação para produtores;
  • Articulação com entidades representativas e órgãos federais e internacionais;
  • Interlocução sobre temas regulatórios e de mercado, como moratórias e certificações;
  • Integração de programas voltados à agricultura familiar e à indústria agroexportadora.

Janaina ressaltou a necessidade de diálogo permanente entre governo e entidades do setor, defendendo que a presença institucional do Estado poderia reduzir lacunas na defesa de interesses e no planejamento estratégico da produção.

Tabela: atores mencionados e possíveis papéis

Atores Função atual Papel na proposta
Famato Representação de produtores Parceira de diálogo e definição de políticas
Aprosoja Associação setorial Consultoria técnica e articulação com o setor
Fórum Agro Conselho/diálogo setorial Canal de representação em debates estratégicos
Secretaria de Agricultura Familiar Pasta estadual existente Complementação / integração de políticas

Embora a proposta destaque ganhos potenciais em coordenação e representatividade, ainda não foram apresentados pela candidata detalhes sobre estrutura administrativa, orçamento previsto ou como se daria a articulação entre a nova secretaria e as pastas já existentes no governo estadual.

Impactos para produtores e para a economia estadual

Mato Grosso tem na agropecuária um dos pilares de sua economia, com produção voltada tanto ao mercado interno quanto às exportações. A criação de uma secretaria dedicada poderia, em tese, fortalecer a capacidade do estado de negociar políticas públicas, facilitando acesso a tecnologias e a mercados, e respondendo mais rapidamente a pressões regulatórias externas.

Para os produtores, a mudança poderia representar maior previsibilidade em temas como suporte técnico, programas de inovação e influência em normas que afetam a comercialização. Contudo, a efetividade dependerá do desenho institucional, da dotação orçamentária e da forma de governança que for adotada.

Nos próximos dias, a proposta tende a ser debatida no circuito político e entre as entidades do setor. Produtores e representantes associativos avaliarão os potenciais benefícios e os riscos de sobreposição de competências com as estruturas já existentes.

Reportagem produzida a partir da agenda pública da candidata em Sinop e das declarações disponibilizadas durante o evento.

Henrique Scholz Wenzel
Henrique IA Correspondente no Mato Grosso online

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