Queda discreta, mas ainda alta prevalência de motociclistas entre mortos
Campinas registrou 142 mortes no trânsito em 2025, segundo o Anuário de Óbitos no Trânsito apresentado pela Prefeitura na quinta-feira (17). O número representa uma redução de 5,3% em relação a 2024, quando foram contabilizados 150 óbitos — uma diferença de oito vidas a menos.
A análise oficial mostra que a queda interrompe a sequência de aumentos observada entre 2020 e 2024, mas reafirma padrões preocupantes em relação ao perfil das vítimas e às principais causas das ocorrências.
Onde ocorreram as mortes
Do total de vítimas em 2025, 74 mortes (equivalente a 52,1%) ocorreram em vias urbanas do município. As rodovias que atravessam Campinas responderam por 68 óbitos (47,9%), revelando que o risco se distribui entre a malha local e as vias de passagem.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Total de mortes em 2025 | 142 |
| Vias urbanas | 74 (52,1%) |
| Rodovias | 68 (47,9%) |
| Taxa por 100 mil habitantes | 11,95 |
Perfil das vítimas
O anuário detalha que as maiores vítimas continuam sendo ocupantes de motocicletas — somando 120 óbitos, ou seja, quase nove em cada dez mortes foram relacionadas a motos. Em seguida aparecem pedestres e ocupantes de outros veículos.
- Motociclistas (pilotos e garupas): 120 óbitos
- Pedestres: 45 óbitos
- Ocupantes de outros veículos: 20 óbitos
- Ciclistas: 5 óbitos
O levantamento também mostra forte predominância masculina entre as vítimas: 120 homens morreram em 2025, equivalente a 84,5% do total. Mulheres representaram 15,5% das mortes.
Causas identificadas
Entre as principais causas associadas aos sinistros fatais aparecem o excesso de velocidade e o consumo de álcool. O anuário aponta:
- Excesso de velocidade: 53 sinistros fatais
- Álcool e direção: 48 sinistros fatais
- Álcool associado à velocidade: 19 sinistros fatais
Esses números reforçam o vínculo, já conhecido por especialistas em trânsito, entre comportamento de risco e letalidade nos acidentes. A combinação de motocicletas, alta velocidade e bebida é recorrente nas ocorrências mais graves.
Desafios e implicações para a gestão municipal
Para Campinas, os dados trazem mensagens claras para políticas públicas: a necessidade de ações voltadas à proteção de motociclistas e pedestres, fiscalização mais efetiva da velocidade e do consumo de álcool ao volante, e intervenções na infraestrutura viária, sobretudo em pontos urbanos com maior concentração de sinistros.
Além do impacto imediato sobre as famílias, a persistência de mortes por trânsito tem efeito sobre gastos públicos com saúde e segurança, sobre a mobilidade urbana e sobre a percepção de segurança da cidade. A redução de 5,3% sinaliza avanço, mas o número absoluto — 142 vidas — ainda impõe urgência nas medidas preventivas.
O anuário também oferece subsídio para planejamento integrado entre secretarias de Transportes, Segurança, Saúde e Mobilidade, assim como para acordos com a sociedade civil e órgãos de fiscalização rodoviária que atuam nas estradas da região metropolitana.
Enquanto a administração municipal poderá utilizar o relatório como base para ajustar prioridades, organizações de defesa da vida no trânsito e especialistas deverão acompanhar a implementação de medidas específicas para avaliar se a tendência de redução se consolida nos próximos anos.