O ministro Benedito Gonçalves tomou posse nesta terça-feira (25) como corregedor nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cargo que exercerá no biênio 2026–2028, em substituição a Mauro Campbell Marques — elevado à vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A cerimônia ocorreu em Brasília e contou com a presença de autoridades dos principais tribunais do país.
Prioridades e diagnóstico do sistema
No discurso de posse, o novo corregedor classificou a função como uma das mais exigentes do sistema judiciário e defendeu que ela requer equilíbrio, prudência e dedicação integral ao serviço público. Ao apresentar dados do relatório Justiça em Números, ressaltou o peso do trabalho diário no Judiciário e a necessidade de aperfeiçoamento gerencial.
"A inovação deve estar sempre subordinada à transparência, às garantias processuais e aos direitos fundamentais. A Justiça do futuro não será apenas mais digital. Terá de ser mais acessível, clara, simples, confiável e humana".
Benedito Gonçalves destacou que o Judiciário encerrou 2025 com mais de 75 milhões de processos e que o país dispõe de apenas 8,9 juízes para cada 100 mil habitantes, índice inferior à média de países europeus, citada como cerca de 18 magistrados por 100 mil habitantes. Para ele, esses números não apenas dimensionam o sistema, mas evidenciam a intensidade do trabalho de magistrados, servidores e tribunais.
Medidas apontadas e impacto previsto
Durante a posse, o corregedor enfatizou a importância de investimentos em tecnologia e de medidas destinadas à racionalização de fluxos processuais. Segundo a nova gestão, tais iniciativas devem produzir resultados concretos para a sociedade, sem que a digitalização se sobreponha às garantias constitucionais.
- Gestão: aperfeiçoamento e prevenção de distorções administrativas;
- Tecnologia: uso de ferramentas digitais com foco em transparência e direitos processuais;
- Acesso à Justiça: promover serviços mais claros, simples e humanos, segundo o corregedor.
A cerimônia reuniu presidentes e representantes dos tribunais superiores, entre eles os presidentes do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin; do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques; do STJ, Luis Felipe Salomão; e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho. Também participaram o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o ministro do STF Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei (nome citado na cerimônia).
Contexto institucional
A Corregedoria Nacional do CNJ tem competência para fiscalizar, disciplinar e orientar a atuação administrativa e funcional dos membros do Judiciário, com atribuições que vão desde inspeções até a promoção de providências disciplinares. A indicação de Benedito Gonçalves assume especial relevância diante do volume processual e das demandas por modernização administrativa apontadas no relatório referido pelo corregedor.
| Indicador | Valor citado |
|---|---|
| Processos em 2025 | mais de 75 milhões |
| Juízes por 100 mil habitantes (Brasil) | 8,9 |
| Média europeia de juízes por 100 mil habitantes | 18 |
A posse abre o mandato com compromissos públicos de fortalecer práticas que conciliem inovação tecnológica e respeito às garantias processuais. A atuação da Corregedoria Nacional nos próximos dois anos deverá ser acompanhada por tribunais, operadores do direito e sociedade civil, ante o desafio de conciliar eficiência administrativa e proteção de direitos fundamentais.