Vila Nova de Gaia prepara-se para inaugurar um novo capítulo na mobilidade e na oferta turística local: um teleférico que ligará a Praia das Pedras Amarelas, em Canidelo, aos Jardins da Arrábida, construído junto à futura estação da Linha Rubi do metro. O presidente da Câmara Municipal de Gaia, Luís Filipe Menezes, avançou números e detalhes técnicos que colocam o projeto entre as grandes intervenções de infraestrutura previstas no concelho.
Capacidade, custos e calendário
Segundo o autarca, o equipamento terá anomalia operacional suficiente para, em pico, transportar até 15 000 pessoas por hora. As cabines previstas comportarão entre 12 a 14 passageiros, contemplando lugares para pessoas com mobilidade reduzida e espaço para bicicletas. O concurso deverá ser lançado até agosto, com o investimento estimado entre 80 e 90 milhões de euros e custos de exploração anuais avaliados em cerca de 2 a 3 milhões de euros.
«Não estamos nas Caraíbas nem no Índico. Não há tufões nem furacões»,
respondeu Luís Filipe Menezes quando questionado sobre a resistência dos cabos face aos ventos fortes da região, referindo como parâmetro comparativo o teleférico recentemente inaugurado em Paris. O projeto gaiense deverá também recorrer a ferramentas de inteligência artificial (IA) para gestão operacional e terá três paragens obrigatórias — os dois terminais e uma estação intermédia que funcionará como espaço de armazenamento e lançamento de cabines conforme a procura.
Integração e impactos na cidade
Para além do valor simbólico e do potencial de atração turística, o teleférico será integrado no sistema de bilhética Andante, o que facilitará a ligação entre diferentes modos de transporte e poderá alterar fluxos de deslocação no troço costeiro e na margem sul do Porto. A inclusão no sistema Andante é também um sinal de intenção de operar o equipamento como componente da rede de transporte público e não apenas como atractivo turístico isolado.
Características principais do projeto:
- Gestão por IA para adequação do número de cabines à procura;
- Três paragens (dois terminais e uma estação intermédia de garagens);
- Cabines acessíveis e com espaço para bicicletas;
- Integração na bilhética Andante, com potencial impacto nas tarifas e intermodalidade.
Custos previstos e operação
O investimento e os encargos operacionais divulgados pelo município permitem antever debates sobre a sustentabilidade financeira do empreendimento e o retorno económico para o concelho. Os números conhecidos até agora situam-se na seguinte faixa:
| Item | Estimativa |
|---|---|
| Investimento inicial | 80–90 milhões de euros |
| Custo anual de exploração | 2–3 milhões de euros |
| Capacidade máxima | Até 15 000 pessoas/hora |
O anúncio veio ainda acompanhado de uma visão de expansão: está em estudo um segundo teleférico que ligaria Avintes à estação da Linha Amarela em D. João II, com o objectivo de melhorar o acesso a freguesias como Crestuma, Lever, Olival, Sandim, Pedroso Norte e Oliveira do Douro Sul. Essas intenções sublinham a ambição de transformar soluções de transporte aéreo urbano em instrumentos de coesão territorial.
Do ponto de vista local, residentes e empresários do sector turístico deverão acompanhar com atenção o lançamento do concurso e a calendarização das obras, já que a concretização do projeto poderá alterar fluxos de visitantes, valorizar imóveis junto à frente costeira e criar novas dinâmicas económicas. Ao mesmo tempo, as contas de exploração e a integração tarifária serão determinantes para aferir se o teleférico se assume como serviço público de mobilidade ou como produto turístico com cobrança diferenciada.
Nas próximas semanas, o município tem pela frente a preparação do procedimento concursal e a clarificação de parcerias público-privadas que possam suportar investimento e operação. Para Vila Nova de Gaia, a iniciativa representa uma aposta visível na mobilidade urbana e no desenho do território, combinando tecnologia, turismo e planeamento municipal.