A instalação da terceira doca seca nos estaleiros da WestSea em Viana do Castelo marca um passo significativo na consolidação da cidade como pólo de apoio à indústria naval e ao marítimo-portuário no Norte do país. A formalização da entrada em funcionamento foi anunciada em comunicado a que a Lusa teve acesso, destacando um investimento público-privado que eleva a capacidade técnica e logística do porto vianense.
Infraestrutura e investimento
A nova doca seca representa um investimento de cerca de 24 milhões de euros e tem as seguintes dimensões: 220 metros de comprimento e 45 metros de largura. Estas medidas permitem agora receber e operar sobre embarcações de maior porte, reforçando tanto a atividade de construção naval como a de reparação.
| Item | Valor / Dimensão |
|---|---|
| Investimento | 24 milhões de euros |
| Comprimento da doca | 220 metros |
| Largura da doca | 45 metros |
Encomenda e perfil do navio
Paralelamente à inauguração, os estaleiros anunciaram a construção de um navio cruzeiro de luxo, com um valor aproximado de 100 milhões de euros. A embarcação, designada SEFU, foi encomendada pelo grupo japonês Ryobi Holdings e tem entrega prevista para 2027. Trata-se de um navio com cerca de 110-120 metros de comprimento, boca de 19 metros e calado aproximado de 5 metros, com capacidade para entre 100 e 150 passageiros, prevendo operar maioritariamente no Japão e no sudoeste asiático.
Impacto para o porto e para a região
A Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) sublinha que «a entrada em operação desta infraestrutura constitui um marco relevante para o Porto de Viana do Castelo, reforçando a sua capacidade de apoio à indústria naval e criando melhores condições para responder a operações de maior dimensão e complexidade». O argumento central é que a doca amplia a atratividade do porto para trabalhos de construção e reparação que exigem infraestruturas específicas.
«Com esta nova valência, o Porto de Viana do Castelo consolida o seu posicionamento enquanto infraestrutura estratégica de apoio à atividade marítimo-portuária e à indústria naval, contribuindo para o reforço da competitividade do setor e para a dinamização económica da região.»
Para a economia local, a obra e a encomenda representam potencial de transferência tecnológica, criação e manutenção de empregos qualificados e reforço das exportações de serviços e conhecimento. A WestSea, do grupo Martifer, enquadra a adjudicação no seu plano estratégico, apontando para o desenvolvimento sustentável do negócio e o aumento do perfil exportador em mercados de maior valor acrescentado.
Histórico e cronologia
A cerimónia de lançamento da empreitada da doca seca remonta a 2020, levada a cabo nos então Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) e presidida, à época, pelo ministro das Infraestruturas e Habitação. A concretização agora anunciada materializa um projeto que demorou a transcorrer do papel à operação, refletindo investimentos públicos e privados orientados para recuperar capacidade industrial perdida nas últimas décadas.
- Infraestrutura: Doca seca nº 3, 220 m x 45 m.
- Investimento: ~24 milhões de euros.
- Encomenda: Navio cruzeiro SEFU, ~100 milhões de euros, entrega em 2027.
Do ponto de vista urbano e social, espera-se que a operação atraia subcontratação local e regional nas áreas de serviços marítimos, metalomecânica, logística e comércio associado. Ainda que o comunicado não detalhe números de emprego, a dimensão das obras e do programa de construção e reparação aponta para um efeito multiplicador na economia de Viana do Castelo e no tecido empresarial do distrito.
Com uma presença histórica ligada à construção naval, Viana do Castelo vê nesta nova doca uma oportunidade para recuperar espaço competitivo no mapa industrial português, especialmente em segmentos de maior valor acrescentado como o naval de luxo e serviços especializados de reparação.